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Pornografia/Crianças

NYT revela submundo da pornografia infantil online nos EUA: 45 milhões de fotos e vídeos

Polícia em ação nos Estados Unidos contra pornografia infantil na internet.
Polícia em ação nos Estados Unidos contra pornografia infantil na internet. (Photo : AFP)

Se há 10 anos a pornografia infantil na internet era uma questão preocupante, hoje lidamos com uma crise sem precedentes. Uma investigação do jornal The New York Times revelou um submundo criminoso que teve sucesso ao explorar as brechas e falhas do sistema mundial on-line. A busca contabilizou até agora cerca de 45 milhões de fotos relacionando crianças à pornografia, apenas no ano passado.

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“Como no discurso de ódio e na propaganda terrorista”, ressalta o The New York Times, “muitas empresas de tecnologia falharam em policiar adequadamente as imagens de abuso sexual em suas plataformas, ou falharam em cooperar suficientemente com as autoridades quando a encontraram”.

As imagens, relata o jornal, são “horríveis”. “Crianças, algumas com apenas 3 ou 4 anos, sendo abusadas sexualmente e, em alguns casos, torturadas”, publica o NYT. O jornal norte-americano acusa o Departamento de Justiça, de negligência ao não enviar relatórios obrigatórios de monitoramento, e por não ter nomeado um alto funcionário para liderar uma repressão contra a pornografia infantil na web. “E o grupo encarregado de servir como intermediário entre as empresas de tecnologia e as autoridades estava mal equipado para a explosão das demandas”, afirma.

Números

O NYT faz um comparativo numérico sobre a pornografia infantil na internet nos últimos 20 anos. Segundo o jornal, em 1998 houve mais de 3.000 denúncias de imagens de abuso sexual infantil na web. Pouco mais de uma década depois, os relatórios anuais ultrapassaram as 100.000 denúncias. Em 2014, esse número ultrapassou 1 milhão pela primeira vez. Apenas no ano passado, foram detectadas 18,4 milhões de imagens de crianças em situação de abuso sexual, mais de um terço do total já registrado no mundo.

A equipe do Times revisou mais de 10.000 páginas de documentos policiais e judiciais, além de conduzir testes de software para avaliar a disponibilidade das imagens por meio de mecanismos de busca. Os jornalistas também conversaram com investigadores, legisladores, executivos de tecnologia e funcionários do governo. Os relatórios a que eles tiveram acesso incluíram conversas com um pedófilo confesso que ocultou sua identidade usando um software de criptografia e que administra um site que hospedou até 17.000 imagens desse tipo.

Em entrevistas, as vítimas nos Estados Unidos descreveram em detalhes tristes de como suas vidas foram destruídas pelo abuso. “Crianças que, estupradas por parentes e estranhos, eram informadas que aquilo que era normal. E os pais dos abusados, lutando para lidar com a culpa de não ter conseguido impedir o abuso e sua impotência em impedir sua propagação online”, publica o NYT.

Tendência perturbadora do submundo da pornografia infantil

Em uma tendência perturbadora, os grupos online começam agora a se dedicar a compartilhar imagens de crianças pequenas, além de formas mais extremas de abuso. Os grupos usam tecnologias criptografadas e a dark web para ensinar a pedófilos como realizar os crimes e como registrar e compartilhar imagens do abuso em todo o mundo. Em alguns fóruns online, crianças são forçadas a exibir cartazes com o nome do grupo ou outras informações de identificação para provar que as imagens são recentes, denuncia o jornal.

Os horrores da dark web

Cada vez mais, os criminosos usam tecnologias avançadas, como a criptografia, para não serem capturados pela polícia. Em um dos casos revelados pelo NYT, um homem do estado de Ohio, que ajudava a administrar um site na dark web conhecido como Love Zone, tinha mais de 3 milhões de fotos e vídeos em seus computadores.

O site, agora fechado, possuía quase 30.000 membros e exigia que eles compartilhassem imagens de abuso para manter uma “boa reputação”, de acordo com os documentos do tribunal responsável pela investigação. “Uma seção privada do fórum online se encontrava disponível apenas para membros que compartilhavam imagens de crianças que abusaram. Eles eram conhecidos como ‘produtores’”, relata o NYT.

Várias investigações policiais ao longo dos últimos anos nos Estados Unidos interromperam fóruns gigantescos da dark web, incluindo um conhecido como Child’s Play (Brincadeira de Criança), que teria mais de um milhão de contas de usuário.

Entre todas as plataformas digitais de difusão, uma é considerada a mais “problemática”, segundo os policiais norte-americanos. Trata-se do Tumblr, um site de blogs e rede social que conta hoje com cerca de 470 milhões de usuários, e que responde de maneira muito “lenta” às investigações.

"Acho que as pessoas sempre estavam lá, mas o acesso é muito fácil", disse ao NYT o tenente John Pizzuro, comandante da força-tarefa em Nova Jersey. “Você tem nove milhões de pessoas envolvidas no estado de Nova Jersey. Com base nas estatísticas, provavelmente podemos prender 400.000 pessoas”, afirmou.

A linguagem comum sobre o abuso infantil também ajudaria a minimizar o dano provocado na nas vítimas. Embora as imagens sejam frequentemente definidas como "pornografia infantil" nas leis estaduais e federais, os especialistas preferem termos como imagens de abuso sexual infantil ou material de exploração infantil para enfatizar a gravidade dos crimes e evitar confundi-los com a pornografia adulta, o que é legal para as pessoas mais de 18, segundo o jornal.

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