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Brasil/Meio Ambiente

Brasil tem ato de coletivo ambientalista Extinction Rebellion, que tenta parar capitais mundiais

Ativistas participam do protesto do Extinction Rebellion em Londres, Grã-Bretanha, 7 de outubro de 2019.
Ativistas participam do protesto do Extinction Rebellion em Londres, Grã-Bretanha, 7 de outubro de 2019. REUTERS/Henry Nicholls

A jovem sueca Greta Thunberg e seu movimento Fridays for Future não são as única novidades no combate contra as mudanças climáticas. O coletivo ambientalista Extinction Rebellion (XR), criado há apenas um ano, ganhou rapidamente adeptos em todo o mundo com suas ações espetaculares e não violentas. A partir desta segunda-feira (7), o grupo organiza duas semanas de atos globais para denunciar a falta de ação dos governos diante da crise climática. No Brasil, os ativistas focam na destruição da Amazônia e no genocídio dos povos indígenas.

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Durante as duas semanas de “desobediência civil”, o Extinction Rebellion chama os ativistas do mundo inteiro à rebelião pacífica e prometem paralisar, principalmente, o tráfego de grandes metrópoles para exigir mudança urgentes para frear o aquecimento global. Atos estão previstos em mais de 350 cidades de 60 países.

Antes mesmo do pontapé inicial da mobilização global nesta segunda-feira, centenas de ambientalistas do XR ocuparam por 17 horas um shopping em Paris, considerado por eles como um "símbolo do capitalismo". Houve momentos de tensão entre as forças de segurança e os ativistas que acabaram abandonando o local, sem maiores incidentes, na madrugada de sábado (5) para domingo (6).

Londres é o epicentro do XR

No domingo, uma "cerimônia de abertura" reuniu no centro de Londres centenas de pessoas. A capital britânica, onde o movimento nasceu em 31 de outubro de 2018, deve concentrar a maioria das manifestações. Nesta manhã, manifestantes já se acorrentaram em um caminhão carregando um “falso míssil” nas proximidades do ministério da Defesa britânico para exigir que “o governo utilize verbas públicas contra as mudanças climáticas”. Em seguida, eles se concentraram em vários locais simbólicos da cidade, como em frente a ministérios Big Ben, que ficou inacessível após a polícia ter sido obrigada a fechar a ponte de Westminster, ocupada pelo grupo.

Os ativistas se sentaram no chão e cobriram a ponte com uma bandeira do Extinction Rebellion, formada por grande X que representa um relógio de areia e simboliza a falta de tempo para lutar contra o aquecimento global. “Precisamos de mudanças radicais e o governo só pensa no Brexit”, declarou Harriet Thody, de 53 anos, que participou do ato. Até agora, 21 pessoas foram detidas. O grupo mantém segredo sobre os próximos atos em Londres, mas espera reunir na capital britânica durante essas duas semanas entre 20 mil a 30 mil pessoas, isto é, cinco vezes mais do que na mobilização de abril, quando paralisaram o trânsito em vários locais da cidade durante 11 dias. Na época, 1,1 mil ativistas foram detidos.

Nesta segunda-feira, manifestações impactantes também ocorreram na Nova Zelândia, Austrália, Berlim e Amsterdã. O ato brasileiro acontece na Praia de Copacabana.

Brasil

O Extinction Rebellion se implantou no Brasil no mês de agosto, durante a crise das queimadas na Amazônia. O ato carioca desta segunda-feira é o primeiro organizado somente pelo XR, que antes participou de manifestações de outros coletivos como a Greve pelo Clima. Pedro Bedim, integrante do grupo do Rio, diz em entrevista à RFI que “infelizmente neste ano as pessoas no Brasil não estão se sentindo com muita potência cidadã para participar deste tipo de coisa”. Mas, independentemente da participação, o objetivo é conseguir gerar um diálogo com as pessoas na rua, explicar o que está acontecendo, avalia o militante.

Devido à violência e ao despreparo da polícia brasileira, Pedro Bedim explica que no Rio eles preferiram não fazer um ato espetacular como os de Londres. O XR Brasil tem quatro demandas especificas, diferentes das reivindicações de outros países: “Proteger e reconhecer legalmente os territórios indígenas; aprovar os direitos da natureza e transformar o ecocídio em lei; cumprir o Acordo de Paris e chegar a zero emissões de gases que provocam o efeito estufa até 2030 e, por último, executar uma transição para uma agricultura sustentável regenerativa diferente do nosso modelo de pesticida e agronegócio”, enumera o ativista.

O XR é apartidário mas está disposto a dialogar com “todo o espectro político para que as quatro exigências sejam aprovadas e cumpridas”, afirma.

Desobediência civil

As bandeiras coloridas e a luta do Extinction Rebellion começaram a ser conhecidas no final do ano passado. O movimento contra a extinção das espécies e o ecocídio foi lançado diante do Parlamento britânico em 31 de outubro de 2018. A cerimônia contou com a presença da jovem Greta Thunberg. Mas para os fundadores do XR, as greves escolares do Fridays for Future não são suficientes para salvar o clima. “É uma diferença de estratégica e de tática. Os fundadores do XR, que são veteranos, viram que as formas que a gente estava usando de ativismo ambiental, petições, ligações para deputados, não estava dando resultado e os próprios tratados internacionais não estavam mobilizando”, conta Pedro Bedim

Baseado em uma pesquisa sobre os movimentos que deram certo na história recente, o grupo prega a rebelião, a desobediência civil, mas seus atos são pacíficos. As ações criativas “mas que causam algum desconforto social” visam forçar os governos a decretar a “emergência ecológica” e tomar as medidas necessárias para atingir bem mais rápido do que propõem os governos o nível zero de emissão de gases que provocam o efeito estufa. No Reino Unido, além de parar o trânsito, os ativistas jogam sangue em monumentos históricos, se fingem de mortos em museus e ocupam locais simbólicos.

Em agosto, em plena crise dos incêndios da Amazônia, ativistas do XR protestaram em frente de embaixadas brasileiras em Londres, Paris e outras capitais europeias, para protestar contra as políticas ambientais do governo de Jair Bolsonaro. Eles jogaram tinta vermelha nas faixadas dos prédios e se acorrentaram às grades. “Basta de sangue indígena!”

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