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Lula/Entrevista

“Moro não tem coragem de ser candidato à presidência”, diz Lula à televisão francesa

Lula em entrevista exclusiva para rede francesa France 24.
Lula em entrevista exclusiva para rede francesa France 24. Captura de tela

O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, concedeu nexta sexta-feira (11) uma entrevista exclusiva ao canal de TV francês France24 na sede da Polícia Federal de Curitiba. Encarcerado há um ano e meio, o ex-sindicalista, agora com 74 anos, quer "provar que ladrões são os que me prenderam". Ele afirma possuir "a energia de um homem de 30 anos" e declara que não quer "adiar sua sentença", mas ser “inocentado".

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Logo no início da entrevista, Lula se disse tranquilo, porque, segundo o ex-chefe de Estado, “o Brasil vem de um processo de mentiras muito grande desde o golpe da presidenta [sic] Dilma. Inventaram uma mentira e da forma mais canalha possível caçaram o mandato de uma presidenta eleita democraticamente”. “Depois do impeachment de Dilma, eu tinha certeza que o próximo passo seria o que fazer com o Lula”, afirma. 

“Começaram utilizando a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário, sobretudo a primeira e a segunda instância para fazer denúncias contra mim. Eu poderia ter ido para um outro país ou para uma embaixada, mas resolvi vir para cá para poder provar a minha inocência”, disse o ex-presidente brasileiro. “Eu quero provar que os mentirosos são aqueles que me acusaram”, declarou.

Corrupção

“Quem pratica a corrupção a pratica em silêncio”, disse Lula, quando questionado sobre porque não sabia sobre as acusações dentro da Petrobras. “Quem pratica a corrupção nem sempre ocupa o cargo principal de uma empresa, normalmente são pessoas que estão em cargos secundários e a Petrobras é uma empresa que possui uma governança muito grande e um Conselho da Sociedade Civil, e as pessoas que estavam praticando crimes, se é que praticaram os crimes que estão dizendo que praticaram, são pessoas que estavam há mais de 30 anos na empresa”, afirmou.

Liberdade ou nada

“Eu não quero progressão da pena”, disse mais uma vez Lula, confirmando declarações prévias à imprensa brasileira. “Eu quero a minha i-no-cên-cia”, disse. “Ou esses canalhas que me prenderam provam que eu cometi um crime, porque eu já provei que não cometi, me libertam e pedem desculpas ao povo brasileiro, ou terão que encontrar uma outra solução."

Lula confessou que quando se entregou à Polícia Federal não esperava ficar tanto tempo preso: “Vim para cá na expectativa de que alguma coisa fosse votada, algo que me tirasse daqui rápido”. O ex-presidente ainda declarou que vai desmascarar o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. “Eles não sabem o que é mexer com um cidadão brasileiro que sobreviveu à fome até os cinco anos de idade. Quem não morre na terra em que nasci até cinco anos, não vai morrer por causa de uma denúncia”, completou.

“O Moro não terá coragem de ser candidato à presidência da República, e se for, não ganha”, disse ainda Lula. “Ele não tem proposta para nada. Ele aprendeu e decorou uma parte do código penal brasileiro e nada mais do que isso”, afirmou.

Lula candidato?

“Não vou dizer que sou candidato, nem que não sou, vou deixar o tempo passar para ver o que vai acontecer. Quero apenas que você saiba que sou um homem de 74 anos com energia de 30, e ainda quero casar quando sair daqui”, declarou.

Sobre a questão ambiental, Luiz Inácio Lula da Silva considera que seu governo provavelmente liderou a política mais protetora do meio ambiente. E não se incomodou em criticar o atual presidente do Brasil: "Estamos vivendo um momento de insanidade de um governo que não tem o menor critério de proteção ambiental. O Bolsonaro não gosta de índios, de seringueiros, de árvores petistas, pobres ou sindicalistas. Ele já disse que índio é vagabundo, que preto é vagabundo, que petista tem que morrer”, lembrou.

“A Amazônia é território soberano do Brasil, mas o Brasil precisa ter consciência de que a biodiversidade produzida pela Amazônia e o ecossistema da Amazônia interessam a todo o planeta. É importante que a gente tenha sempre a possibilidade de criar mecanismos de arrecadação de fundos para que a gente possa proteger a Amazônia e produzir um desenvolvimento sustentável”, disse.

Perguntando sobre se não teria estimulado demasiadamente o consumo em seu governo, Lula disse que “sem consumo não há sociedade”. “Eu só quero que o povo tenha dentro da casa dele o que você tem na sua”, respondeu o ex-presidente. “Isso não é ser consumidor, isso é ter direitos”, afirmou.

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