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Opinião: “Ataques de Bolsonaro a Sínodo da Amazônia podem reforçar oposição ao papa”

O jornal Libération publica um artigo de opinião de dois especialistas brasileiros, Miguel Lago e Stefano Nunes, sobre o Sínodo da Amazônia, com o título: "Bolsonaro incendeia os bispos."
O jornal Libération publica um artigo de opinião de dois especialistas brasileiros, Miguel Lago e Stefano Nunes, sobre o Sínodo da Amazônia, com o título: "Bolsonaro incendeia os bispos." Reproduçéao Liberation

O jornal Libération desta sexta-feira (25) publica um artigo de opinião de dois especialistas brasileiros sobre o Sínodo da Amazônia, com o título: “Bolsonaro incendeia os bispos”. O título é uma alusão irônica a crise dos incêndios que destruíram parte da floresta. O jornal progressista informa que publica o texto dois dias antes do fim do evento, que acontece no Vaticano até 27 de outubro. Segundo a apresentação, “a Igreja Católica faz figura de baluarte histórico na proteção dos direitos indígenas e da floresta diante da colonização brutal prevista pelo presidente brasileiro, que tem o apoio dos evangélicos”.

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O artigo de opinião é assinado pelo cientista político Miguel Lago, cofundador da rede Meu Rio, diretor da ONG Nossas e colaborador da revista Piauí, e pelo economista Stefano Nunes. Os dois especialistas dizem que o Sínodo pode complicar a relação entre o Vaticano e o Estado brasileiro. Eles apontam que a Igreja Católica tenta inverter a tendência de queda de seus fiéis, provocada pelo aumento vertiginoso dos evangélicos, mas é alvo de ataques sistemáticos de Jair Bolsonaro.

"Por que um governo que se autoproclama conservador persegue uma instituição milenar, que prega valores do conservadorismo?", pergunta o texto. Durante sua campanha eleitoral, Bolsonaro chamou a Conferência dos Bispos do Brasil de "banda podre" e, desde que foi empossado, “investiu todas as instituições do Estado neste combate com o pretexto que o Sínodo da Amazônia representa uma ameaça a soberania nacional”.

Papel fundamental na defesa dos direitos indígenas

Segundo o artigo, a reunião do Vaticano ressalta os pontos de disputa que motivam a ação de Bolsonaro na região amazônica. A Igreja Católica teve um papel fundamental no momento da Constituinte para convencer os parlamentares a inscrever as reservas indígenas na Constituição de 1988. “Acabar com esta proteção constitucional é uma das missões de Bolsonaro para desenvolver seu projeto da região”, salientam.

O mesmo discurso adotado pelo governo brasileiro para atacar o presidente francês, Emmanuel Macron, é utilizado para desacreditar o Vaticano, apontam os autores.

Atrás deste argumento de soberania, se esconde um projeto religioso: conquistar 25 milhões de fiéis. A região amazônica é a única do país onde o número de fiéis evangélicos é o mesmo que o número de católicos. "O enfraquecimento da Igreja Católica na região interessa diretamente os neopentecostais, com os quais Bolsonaro mantém uma relação quase visceral."

Guerra cultural

A disputa de Bolsonaro com o papa Francisco ultrapassa as fronteiras brasileiras, acreditam os dois especialistas. “Ao atacar a Igreja, o presidente brasileiro pode aumentar as resistências às propostas de descentralização e abertura feitas pelo sumo pontífice, enfraquecer Francisco e fortalecer a oposição contra ele, materializada na figura do cardinal Burke, personagem ligado a Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump. Trata-se de uma guerra cultural global”, avalia o texto.

O slogan de Bolsonaro, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" não tem espaço para um “Deus que não se submeta a autoridade suprema brasileira que o presidente quer encarnar”. Assim que o Sínodo acabar, “Bolsonaro irá multiplicar as ofensivas contra a Igreja que tem, cada dia que passa, menos forças para resistir”, prevê o artigo.

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