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"Quero viver de arte", diz jovem pintora maranhense que expôs na França

Áudio 06:58
A artista plástica, Amanda Lutiere.
A artista plástica, Amanda Lutiere. RFI Brasil/ Elcio Ramalho

Pintora autodidata, Amanda Lutiere teve uma grande surpresa ao ser informada de que seu trabalho seria exposto no Salão de Arte Contemporânea de Paris.

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O tradicional evento realizado no Carrousel du Louvre, onde fica a galeria que dá acesso ao famoso museu, costuma ser uma vitrine para jovens talentos.

Selena, a obra selecionada para o Salão, reflete o universo que a inspira: o feminismo, a fantasia e a imaginação. Na tela, uma mulher tem a cabeça isolada do restante do corpo, ligada por uma coruja e envolta em várias luas, tudo acompanhado de uma explosão de cores em forma de pixels.

“Pintei Selena em uma época que estava sofrendo de insônia, ela foi toda pintada na madrugada. Ela tem a cabeça desconectada do corpo porque também é uma forma de representar a fuga da realidade, algo muito presente no meu trabalho”, conta. “As várias luas também é uma forma de representar a estabilidade emocional feminina”, acrescenta.

Para ajudar a viabilizar sua viagem à França, ela contou com apoios institucionais dos governos e bancos, além de amigos, que até venderam salgadinhos e objetos como marcadores de livros para arrecadar dinheiro. 

Além de Paris, Amanda Lutiere teve a oportunidade de expor uma série de oito obras em Lille, norte do país. Intitulada Sabá, nome de uma das telas, a série revela outros temas importantes para o universo criativo da jovem pintora, de 22 anos.

Pobreza e abandono paterno

Ela retrata a situação de pobreza da sua cidade natal, São Luís, o abandono de crianças, exclusão e a estética corporal do universo feminino.

“Resolvi fazer uma imersão onde estou. Comecei a observar os fenômenos que acontecem na minha cidade e pobreza e abandono paterno são muito presentes”, afirma.

“Quis também retratar uma realidade de sofrimento e dificuldades pelas quais as mulheres passam na capital maranhense”, explica, fazendo referência também ao conceito corporal padronizado da sociedade.

Amanda também mergulha nas tradições culturais locais para expressar sua arte. Uma visita ao tradicional “tambor de crioula” inspirou a pintora a questionar o papel reservado às mulheres na tradicional manifestação artística, na qual apenas os homens tocam os instrumentos.

“Em uma apresentação, me ocorreu a ideia: e se uma mulher quiser tocar tambor e dançar ao mesmo tempo? Será que iriam deixá-la fazer isso? Não sei. Não sei se é possível, mas na arte, pode”, diz, sorrindo.

Amanda Lutiere tem a intenção de seguir um curso de Belas Artes para aprimorar sua técnica, e a exibição de suas obras na França a fazer vislumbrar um futuro na carreira artística. “Claro que ter uma visibilidade e viver da arte é algo que quero muito. É a vida que eu escolhi e que faz meu coração pulsar”, resume.  

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