Acessar o conteúdo principal
Brasil-Mundo

Festival brasileiro em Hollywood traz produções para estimular corrida ao Oscar

Áudio 04:49
Cartaz do Hollywood Brazilian Film Festival de 2019.
Cartaz do Hollywood Brazilian Film Festival de 2019. Foto: Divulgação

Para trazer produções cinematográficas brasileiras para a meca do cinema comercial mundial, além de coragem, é necessário orgulho, persistência e resistência. Se para fazer cinema faltam verbas, para tentar mostrar o que é feito no Brasil para estrangeiros, não é diferente. Esse é o 11° ano do Hollywood Brazilian Film Festival, que com um 'menu' enxuto, é certeiro e, por que não dizer, provocador.

Publicidade

Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

O festival começou dia 15 e aconte até 19 de novembro. A seleção foi feita pela curadora Lidia Damatto Moreira. Já na abertura, mostrou aos americanos o nosso representante na corrida ao Oscar, "A Vida Invisível", dirigido pelo cineasta Karim Aïnouz. Outros dois curtas-metragens, escolhidos para o festival, "O Órfão", da cineasta Carolina Markowicz, e "Guaxuma", de Nara Normande, também estão entre os pré-selecionados para o maior prêmio do cinema mundial.

"Os filmes estão fazendo campanha para o Oscar em Los Angeles e a gente quer, exatamente, ajudar nessas iniciativas e ser uma vitrine para que esses filmes tenham mais uma sessão em Los Angeles. Para que os membros da academia possam ir ao cinema e não precisem vê-los no laptop em casa, porque os filmes não foram feitos para serem assistidos em um laptop", diz Lídia.

Além das produções que estão na corrida às estatuetas, outros filmes brasileiros, não menos importantes, trazem a discussão sobre a produção brasileira para Hollywood: "Bacurau", de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e "Marighella", com direção de Wagner Moura e que teve estreia cancelada no Brasil.

"'Marighella' e 'Bacurau' são filmes importantes que estrearam neste ano. 'Bacurau', no Festival de Cannes, ganhou o prêmio do Júri e representa muito bem o Brasil, o Nordeste e nossa cultura. 'Marighella' conta a nossa história, estreou em Berlim fazendo barulho e continua fazendo barulho. São filmes que exemplificam e deixam explícito o que é ser brasileiro, o que é a identidade brasileira".

Talize Sayegh é a fundadora e produtora-executiva do evento. Ela cita ainda na paleta dos filmes a serem exibidos no festival, "Pacificado", do diretor norte-americano radicado no Brasil Paxton Winters, e que venceu o prêmio Concha de Ouro de melhor filme no Festival de San Sebastián, na Espanha. A produção tem elenco estrelado por José Loreto, Débora Nascimento, Shirley Cruz e Bukassa Kabengele. O filme teve coprodução do diretor norte-americano Darren Aronofsky (Cisne Negro e Réquiem para um Sonho).

"Ao proporcionar esse palco para os melhores filmes que saem do nosso país, estamos abrindo oportunidade de trabalho diretamente para todos os envolvidos, diretores que podem fazer parcerias aqui e dirigir projetos daqui ou vice-versa; produtores que vão abrir coproduções. A gente mostra um ator aqui que ninguém viu, e aí a pessoa vai querer oferecer um trabalho para ele. O importante é dar visibilidade, e com essa visibilidade, a gente traz oportunidade", destaca Talize.

Talize Sayegh, ao lado do ator Selton Mello, é a fundadora e produtora-executiva do festival.
Talize Sayegh, ao lado do ator Selton Mello, é a fundadora e produtora-executiva do festival. Foto: Divulgação

Para a curadora, produzir e exportar cultura são os melhores investimentos em políticas internacionais que um país pode fazer. "No final das contas essa é a maior forma de dominação que existe. Os Estados Unidos só são os Estados Unidos porque produzem todos esses filmes, toda essa música e tudo isso que eles exportam. Produzir cultura é essencial, e é o que faz da gente brasileiros".

Fazer cinema é resistir

Apesar de toda a crise, dos cortes e congelamentos de verbas nas políticas culturais brasileiras, Lídia afirma que para o cinema nunca houve um ano tão bom. "O ano de 2019 foi um ano muito ruim para produção de novos filmes. Mas em relação a filmes que estão sendo lançados e que são o resultado do que vem sendo produzido há muitos anos, pois é um processo longo, eu até ousaria dizer que o cinema brasileiro nunca teve um ano tão bom", destaca Lídia.

Lidia Damatto Moreira, curadora do Hollywood Brazilian Film Festival.
Lidia Damatto Moreira, curadora do Hollywood Brazilian Film Festival. Foto: Arquivo Pessoal

No começo de 2019, o Brasil participou do 67º Festival Internacional de Cinema de Berlim, com 12 filmes nas diversas mostras da Berlinale. Já em Cannes, foram apresentados sete filmes, incluindo as coproduções. O nosso país conquistou duas vitórias inéditas na França: "Bacurau", como já foi citado, levou o prêmio do júri da competição, o terceiro mais importante do evento, e "A Vida Invisível" foi escolhido o melhor filme da seção Um Certo Olhar, mostra paralela à disputa pela Palma de Ouro. Fora da programação oficial, "The Lighthouse", longa americano que tem o brasileiro Rodrigo Teixeira como produtor, ganhou prêmio da crítica.

"Isso é para a gente ficar feliz, ficar esperançoso, inspirar a continuar lutando para que realmente a produção não pare. Eu acho que, na verdade, todos os filmes brasileiros são filmes de resistência. Fazer cinema no Brasil é resistir. É praticamente impossível competir com a dominação do cinema americano. É essa ideia também (de resistência) que nos levou a fazer o festival e trazer o cinema brasileiro para o meio de Hollywood, para o meio da meca do cinema comercial, que domina o Brasil e o mundo", finaliza Lídia.

 

Newsletterselfpromo.newsletter.text

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.