Acessar o conteúdo principal
RFI Convida

"Eu queria poder pedir mais e não estar gritando pelo básico”, diz diretora de 'Democracia em Vertigem'

Áudio 11:41
A cineasta brasileira Petra Costa, diretora de "Democracia em Vertigem".
A cineasta brasileira Petra Costa, diretora de "Democracia em Vertigem". RFI

A cineasta brasileira Petra Costa percorre o mundo nesse momento para promover "Democracia em Vertigem", um documentário sobre a história recente do Brasil, que faz parte desde junho do catálogo da Netflix e vem sendo aclamado pela crítica. Ela passou pelos estúdios da RFI em Paris antes de embarcar para os Estados Unidos, onde o filme foi indicado para o Gotham Awards em Nova York.

Publicidade

Desde seu lançamento, Democracia em Vertigem conquistou o público dentro e fora do Brasil. “Nos primeiros meses, o filme tinha um tweet por minuto, e isso continua”, contabiliza Petra. “Recebo mensagens da Turquia, da Índia, do Uruguai, do Japão, de pessoas que sentem que o filme conta a história da própria democracia deles. Num momento de crise democrática mundial, era o meu sonho poder estar falando com o mundo”, celebra a diretora, que assina seu terceiro longa, após Elena e Olmo e a Gaivota.

 

Cada um de seus projetos traz assuntos delicados, sempre com um olhar feminino e feminista, como explica a diretora. “Eu venho de documentários mais pessoais, sempre tentando explorar como o pessoal é político. Mas nesse filme a equação se inverteu e o político se tornou pessoal. Acho que houve um abalo sísmico não só no Brasil, mas no mundo, em que se tornou latente para todos que a democracia ficou em risco”, analisa.
 

O abalo do qual fala a diretora é a crise recente na política brasileira, que ela filma de dentro, passeando por manifestações populares, mas também pelos bastidores de Brasília. “Era muito importante estar nas ruas, no Congresso e no Palácio do Planalto para fazer um filme em que o personagem principal fosse o Brasil”, insiste.
 

Câmera quase indiscreta ao lado de Lula e Dilma
 

Sua câmera quase indiscreta imortaliza cenas íntimas dos ex-presidentes Dilma Rousseff e de Luiz Inácio Lula da Silva em pleno turbilhão, entre ameaça de impeachment e pedidos de prisão. Como ao mostrar o momento em que o líder petista confirma, por telefone, que a ex-presidente iria nomeá-lo para dirigir a Casa Civil, pouco antes dos vazamentos das gravações que mudaram os rumos do país.
 

No entanto, a cineasta cruza a saga nacional com sua própria trajetória e engajamentos pessoais. Filha de militantes que viveram na clandestinidade lutando contra a ditadura nos anos 1970 – sua mãe chegou a ser detida na mesma prisão que Dilma Rousseff –, Petra propõe um documentário que não esconde sua veia militante.

 

“Eu tenho um posicionamento político e busco ser o mais transparente possível no filme sobre isso. Mas também tinha muitas críticas ao governo do PT”, desabafa. “O mais triste é que esse avanço da direita faz com que a gente não possa pedir mais e tenha que tentar assegurar apenas o básico. Eu queria poder pedir mais nesse momento e não estar gritando pelo básico”, conclui.

 

Newsletterselfpromo.newsletter.text

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.