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Filme de 1 minuto sobre Amazônia conquista prêmio especial no Mobile Film Festival

Áudio 06:53
O cineasta David Murad recebeu um dos principais prêmios do Mobile Film Festival, em Paris.
O cineasta David Murad recebeu um dos principais prêmios do Mobile Film Festival, em Paris. RFI

O filme “Déclaration” (Declaração, em português) do cineasta David Murad recebeu na noite desta terça-feira (3), em Paris, a Menção Especial do Júri da 15ª edição do Festival Internacional Mobile Filme, que este ano escolheu como tema o combate às mudanças climáticas.

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Murad foi o único brasileiro a participar do festival criado pelo francês Bruno Smadja e que se tornou uma referência para a divulgação de obras criadas apenas com tecnologia digital.

A direção do festival decidiu conceder um dos principais prêmios ao filme de David Murad por seu comprometimento com as questões dos incêndios na Amazônia e a política do presidente Jair Bolsonaro. “ O júri decidiu premiar o filme, seu diretor e apoiar o cinema brasileiro que vive grandes dificuldades neste momento diante da política governamental”, informou a direção do evento.

Na cerimônia, os organizadores ainda anunciaram o prêmio de "Melhor ator" ao presidente Jair Bolsonaro e saudaram a coragem de Murad em abordar o tema.

“Quisemos dar uma menção especial de coragem porque sabemos que no Brasil é complicado, neste momento, fazer filmes e, ainda mais, um filme assim, no qual o realizador assume riscos. Pensamos que foi arrojado, audacioso e corajoso tendo em conta as problemáticas atuais e é mesmo importante”, afirmou Hugo Becker, ator francês e membro do júri. 

A edição deste ano do festival teve como título “ACT Now on climate change”, (Agir imediatamente contra as mudanças climáticas, em tradução livre).  A direção do festival recebeu 900 inscrições de 91 países e fez uma seleção de 50 filmes de 24 países, entre eles o de Murad, que ficou entre os mais vistos no período que foi disponibilizado para apreciação do público entre os dias 17 e 30 de novembro.

"Eu acho que é um prêmio pela mensagem que o filme passa. Se, de alguma forma, gerou algum impacto nas pessoas, no júri do festival, é porque a mensagem foi passada de uma forma interessante (...) É um filme sobre a negação e o primeiro ato é parar de negar", declarou Murad após receber a honraria.

Sucesso de público

Em algumas semanas, “Declaração” atingiu  mais de 26 mil visualizações, tornando- se um dos mais vistos entre os filmes selecionados para a fase final da competição. “A repercussão desse trabalho tem muito a ver com o cenário político brasileiro e internacional, da maneira como a política está lidando com os problemas climáticos e da devastação da Amazônia. O motivo de ter dado muita visualização foi esse”, disse Murad em entrevista à RFI.

O curta de 1 minuto, feito com aparelho celular, é um filme para lutar “contra a negação” das evidências climáticas, segundo o cineasta radicado em Brasília.

“O tema deste ano do festival é agir contra as mudanças climáticas e a primeira coisa a se fazer com relação a esta questão é parar de negá-la. Boa parte dos políticos em todo o mundo, inclusive no Brasil, insistem no erro básico que é negar, e dizer que não existe mudança climática e não existe aquecimento global, que a Amazônia não está sendo mais queimada do que antes sempre foi. Essa negação está acontecendo de maneira muito forte no Brasil, inclusive. O filme é sobre isso: como negar fatos pode ser prejudicial para o futuro”, explica.

O discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, onde defendeu suas políticas para o meio ambiente e rejeitou as críticas da atuação de seu governo contra o desmatamento e os incêndios que devoraram parte da Floresta Amazônica, foi o mote escolhido pelo cineasta para abordar o fosso entre os discursos oficiais e a realidade climática.

“No discurso do presidente na ONU, ele disse que o Brasil é um dos países que mais protege a Amazônia, e resumidamente, está tudo bem. A gente está fazendo o que deve ser feito e talvez, até mais. Falar isso é negar a realidade. A minha ideia é provocar uma reflexão nas pessoas. Antes mesmo de apontar qualquer dedo, é provocar reflexão e mostrar alguns fatos, você acha realmente que vale a pena negar o que está acontecendo?”, questiona. 

 

“Declaração”, assim como todos os filmes selecionados para a fase final do Mobile Film Festival serão exibidos durante a COP 25 realizada em Madri e também servirá de material pedagógico a ser distribuído e divulgado em todo o mundo, por iniciativa do evento.  A estratégia garante mais visibilidade para o trabalho de Murad e, por extensão, à arte produzida no país.  

“A arte no Brasil está com problemas neste momento, então quando mais incentivos acontecer, seja local ou seja externo para dar luz a esta arte, melhor ainda. Tivemos um ano lindo par ao cinema brasileiro, com Bacurau, que fala de resistência. O cinema brasileiro resiste muito fortemente e a arte resiste bem”, garante.

* Com colaboração de Carina Branco

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