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Cinema

Le Monde elogia a "esplêndida beleza" de "A Vida Invisível", novo filme de Karim Aïnouz

Cartaz do filme "A Vida Invisível",  do diretor brasileiro Karim Aïnouz.
Cartaz do filme "A Vida Invisível", do diretor brasileiro Karim Aïnouz. Reprodução

A edição de quarta-feira (11) do jornal Le Monde traz uma matéria sobre o novo filme do diretor brasileiro Karim Aïnouz, "A Vida Invisível", que entra em cartaz nos cinemas franceses nesta semana. "Dois destinos contrariados em um Rio inebriante", diz a manchete do texto.

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Le Monde considera que neste sétimo longa do diretor, Aïnouz continua atento às "existências à margem da sociedade", como em Madame Satã, de 2002, que conta a história de um célebre travesti do Brasil. Baseado no livro "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", de Martha Batalha, o argumento "romanesco" mostra o cruzamento de dois destinos no Brasil dos anos 1950, destacando "o poder do patriarcado sobre a vida das mulheres em uma época em que elas tinham pouca voz na sociedade", afirma o jornal.

O filme retrata a relação de suas irmãs, Eurídice e Guida, que da fraternidade cúmplice são levadas pelo destino a vias opostas. Enquanto Eurídice é a moça disciplinada, que toca piano e sonha em estudar música em algum conservatório da Europa, Guida tem um caráter livre e sonhador, amando em segredo um marinheiro com quem resolve fugir.

Apesar da distância que o pai das jovens obriga que se instale entre as duas devido às escolhas de vida de cada uma, a relação permanece viva, "explorando uma relação de sororidade à toda força, que não pode se realizar plenamente devido às condições de uma sociedade verticalmente patriarcal", reitera a matéria.

Esplêndida beleza

Recompensado com o prêmio "Um Certo Olhar", no último Festival de Cinema de Cannes, "A Vida Invisível" é valorizado por seus ares biográficos, "uma maneira de registrar a existência de um tempo que passa e transforma tudo". Le Monde também elogia "a esplêndida beleza" das duas personagens do filme, vividas pelas atrizes Carol Duarte e Julia Stockler que, "se construindo ao fio dos anos não param de se transformar, encontrando força nesse movimento".

Não passa despercebida a "magnífica fotografia" de Hélène Louvart, que retrata uma "cidade iluminada, com reflexos inebriantes, onde o desejo de viver parece resvalar por tudo". É no coração desta dimensão plástica Karim Aïnouz instala a relação imaginária das duas irmãs que vivem "esse amor frustrado, moldado pela argila das lembranças, onde cada uma acaba percebendo na ausência da outra o que poderiam se tornar", conclui.

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