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A Semana na Imprensa

Preta Rara: "porta-voz das domésticas brasileiras" é o destaque da semana na revista do Le Monde

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A revista do jornal Le Monde destaca o livro da rapper brasileira Preta Rara: "Eu, empregada doméstica", sobre o cotidiano de brasileiras que trabalham em casas de famílias de classes média e alta.
A revista do jornal Le Monde destaca o livro da rapper brasileira Preta Rara: "Eu, empregada doméstica", sobre o cotidiano de brasileiras que trabalham em casas de famílias de classes média e alta. Reprodução

A rapper, historiadora, ex-empregada doméstica e escritora Joyce Fernandes, a Preta Rara, é o destaque da semana na prestigiosa revista "M", do jornal Le Monde. A publicação dedica duas páginas às revelações do livro "Eu, empregada doméstica" (editora Letramento), lançado recentemente no Brasil, que representa "o desfecho de um processo de revolta transformado em luta por esta jovem negra de 32 anos".

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O primeiro livro de Preta Rara foi escrito três anos após o surgimento da página da rapper de mesmo título no Facebook. Na obra, a "porta-voz das domésticas no Brasil", segundo a revista "M", conta a experiência que viveu como trabalhadora doméstica durante sete anos em Santos, onde nasceu, e centenas de relatos anônimos de outras mulheres, enviados à página que criou na rede social. As situações descritas são humilhantes e demonstram a forma como o Brasil perpetua o ranço colonial, fazendo das negras escravizadas no passado as empregadas domésticas da atualidade.

Entre os abusos descritos estão relatos sobre o trabalho doméstico aos 10 anos de idade; o salário do mês confiscado pela quebra de um cisne de porcelana; a patroa que prende a empregada no quarto quando sai de casa por medo de ser roubada; além de situações vividas por Preta Rara, como não poder se alimentar com a comida que preparou para os patrões. As dificuldades que ela enfrentou para encontrar outro tipo de emprego quando completou 18 anos, simplesmente por ser negra, e os sacrifícios que fez para pagar a faculdade particular e se tornar professora de história também são citados pela revista.

"M" destaca que o Brasil é o país com o maior número de domésticas no mundo, um contingente de cerca de 6,2 milhões de pessoas, segundo o censo do IBGE de 2018, sendo que 78% delas são mulheres negras, como Preta Rara. "Elas não têm outra escolha a não ser pegar a vassoura que antes esteve entre as mãos de suas mães e avós", constata.

Maioria ainda desconhece seus direitos

A revista do Le Monde explica que as leis aprovadas em 2012 e 2015, regulamentando a jornada de trabalho de 8h por dia, o direito à hora extra, ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao seguro-desemprego às domésticas, tiveram o efeito de uma tempestade para os patrões. "Os avanços foram obtidos graças a duas mulheres do Partido dos Trabalhadores: a então deputada Benedita da Silva e a ex-presidente Dilma Rousseff", destaca a reportagem.

Na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro se vangloriou de ter sido o único deputado que votou contra a PEC das Domésticas, declaração recebida como uma ofensa pela Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Creuza Maria Oliveira, presidente da entidade, diz estar convencida que Bolsonaro ganhou muitos votos ao defender os patrões.

Quatro anos após as últimas conquistas, Preta Rara diz que escreveu seu livro para evitar que as domésticas brasileiras continuem a sofrer abusos. Apenas 27% delas trabalham com carteira assinada e a grande maioria desconhece seus direitos, lamenta a rapper.

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