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Pianista brasileira Karin Fernandes apresenta compositores contemporâneos em recitais na Europa

Áudio 08:03
A pianista Karin Fernandes
A pianista Karin Fernandes Arquivo pessoal

Um recital nesta terça-feira (14) na Embaixada do Brasil em Paris marca o início de uma série de concertos da pianista Karin Fernandes programados na capital francesa e em Lisboa. No repertório, ela optou principalmente por obras de compositores contemporâneos, seus preferidos nesse momento. 

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Com 36 anos de carreira, Karin explica buscar um equilíbrio entre escolhas pessoais e demandas do público em seus concertos. Na representação diplomática brasileira, ela selecionou obras de Alberto Ginastera, Henri Cowell, Monia Pearce, Fernando Dias Gomes, mas também Heitor Villa-Lobos, entre outros.

“O repertório que eu gosto de tocar é a partir do século 20, com músicas contemporâneas e novas técnicas, músicas mais ‘maluconas’. Tem que haver um equilíbrio. Acho que o artista tem que propor coisas novas para o público, senão ele só está criando uma situação de entretenimento”, explica.

A escolha por músicas mais modernas fez parte de um processo de diversificação na sua longa e bem-sucedida trajetória musical. Depois de muitos anos focada em atender pedidos para tocar compositores clássicos, nos últimos anos ele decidiu focalizar em um repertório mais eclético.

“Precisei interromper a carreira para propor meu próprio repertório. Ninguém me chama mais para fazer discos de (Fréderic) Chopin. Não tenho nada contra, mas é uma questão de gosto particular e de proposta de carreira”, afirma. Ela decidiu fazer diversas pausas na carreira para escolher obras e compositores que lhe davam prazer.

Assim entraram no seu repertório criações de Arrigo Barnabé, Tatiana Catanzaro e Sergio Kafeja.   

“Cheiro de galinheiro”

Karin ainda tem viva na memória o seu primeiro contato com o piano. Com um ano de idade, ganhou de presente para a festa de aniversário o instrumento de brinquedo. 

Depois de uma iniciação musical, ela começou a estudar o instrumento aos 7 anos, e no ano seguinte já ganhou o primeiro concurso, despertando o talento que contou com o apoio dos pais.

“Minha família era pobre. Meus pais pagavam aulas de piano para mim pensando que eu iria me casar com um pastor da Igreja Adventista e iria tocar na Igreja. Nada disso aconteceu”, recorda, brincando.

Em suas lembranças, ficou marcado o comentário de uma professora que ia à sua casa e reclamava do cheiro da aluna, que se sentava no piano depois de sair do galinheiro, onde fazia lições da escola e brincava com os animais. “Ela se queixava com meus pais que não dava para dar aulas para quem fedia galinheiro”, recorda.

Depois de uma pausa, Karin retomou os estudos e, aos 14 anos passou a se apresentar em público e participar de audições e concursos. “Eu falo que concurso público foi minha primeira profissão. Desde cedo eu fazia concursos, me dava bem, ganhava e pensei: tenho um jeito de ganhar dinheiro sem pedir para meus pais”, lembra, sorrindo.

Na faculdade de música se aproximou de Lina Pires de Campos, pianista, educadora musical e compositora, que deu um impulso às suas ambições com a carreira musical. “Ela mudou a minha vida. Ela tinha uma técnica ligada à escola francesa e mudou muita coisa em mim”, conta.

Depois da faculdade, fez música popular e gravou discos com vários cantores antes de voltar à música clássica. Aos 29 anos, venceu o Prêmio Eldorado de Música e a partir de então, muitas portas se abriram para concertos no Brasil e exterior.

Karin Fernandes já gravou 13 CD’s, muito deles resultados de projetos pessoais por meio de produções que ganharam apoio pelas leis de incentivo cultural do país. Em 2017, foi eleita pelos profissionais da música na categoria “melhor instrumentista clássica do Brasil”.

Trabalho com cinema

Um de seus mais recentes trabalhos foi a gravação para a trilha sonora do filme “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, sua quinta colaboração com a sétima arte. O trabalho durou mais de um ano, com diversas gravações para se adaptar às exigências do diretor, Karim Aïnouz.

“Eu gravei um repertório grande, foi um trabalho de mais de um ano. Gravei oitos peças, na primeira etapa de gravação. Várias coisas da Chiquinha Gonzaga não entraram, o diretor mudou para Liszt e Schubert por causa das cenas”, lembra.

Do período, ficaram recordações de um trabalho intenso e bem diferente do realizado como concertista. “No concerto você tem uma ideia, mas para o cinema, você pode ter outras ideias para uma mesma peça. O prelúdio 4 de Chopin, eu gravei errando, com raiva, outra mais rápido e lenta. Foi muito divertido”.

“Lembro que tive que gravar a rapsódia de Lizst e errar no meio porque era uma cena que a personagem errava. Gravei várias versões de uma mesma peça lírica". O resultado na tela agradou à pianista.

“O piano não era o foco principal, isso achei legal. Pude viajar naquela história e, sem a responsabilidade do palco, ver o que as pessoas vão pensar da sua interpretação”, diz.

 

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