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Brasil/Lula

Lula faz campanha sem propostas concretas e não faz autocrítica, aponta Le Monde

Lula durante celebração do aniversário de 40 anos do PT, no Rio de Janeiro.
Lula durante celebração do aniversário de 40 anos do PT, no Rio de Janeiro. DANIEL RAMALHO / AFP

O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta segunda-feira (10) traz uma longa reportagem sobre a celebração dos 40 anos do Partido dos Trabalhadores (PT). O texto aproveita a ocasião para traçar um perfil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde que deixou a prisão. Segundo o vespertino, o líder petista tenta voltar ao cenário político, mas até agora não apresentou nenhuma proposta concreta.

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O texto do correspondente do Le Monde no Brasil conta como foi a celebração do aniversário do PT, uma legenda que “faz parte da história do país”. “Um partido que conheceu tudo do poder: a conquista (árdua), o exercício (extravagante) e sua perda (brutal)”, descreve.

Na noite de sábado (8), relata o correspondente, Lula, aclamado por milhares de partidários, insistia que “é possível construir um novo Brasil”. Ao lado do ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica, o líder petista tentava mobilizar as novas gerações, com frases do tipo “Não se desanimem nunca”, ou ainda “temos a obrigação de lutar pelo povo”, enumera o jornalista.

No entanto, “por trás da euforia do momento, muita gente se questiona sobre o futuro do partido e a estratégia a ser encampada diante da extrema direita de Jair Bolsonaro”, pondera o correspondente. Segundo o texto, a incerteza sobre o futuro de Lula é a principal preocupação dos militantes. Le Monde lembra que o ex-presidente está livre até o fim dos recursos judiciais, mas continua inelegível.

O jornal aponta que, desde que saiu da prisão, o líder petista, “visivelmente marcado pelos 580 dias detido”, visitou, em três meses, apenas algumas capitais regionais. “Será que o cansaço estaria vencendo o leão velho?”, se questiona o correspondente, ressaltando que os comícios vêm sendo substituídos por uma presença importante nas redes sociais. “Nas últimas semanas, os internautas puderam ver Lula de todas as maneiras: posando com chapéu panamá ou de couro, jogando futebol, acariciando seu cachorro, dançando ou tomando banho de mar”, relata o vespertino.

Mas o jornal é categórico ao dizer que “todas essas frivolidades não fazem um programa e não têm, até agora, nenhum impacto na popularidade de Jair Bolsonaro, que beneficia de 47% de opinião favoráveis: 6 pontos a mais que no mês de agosto”, avalia o correspondente.

Além disso, ressalta o texto, “apesar do antipetismo que continua presente no Brasil, Lula se recusa a qualquer tipo de autocrítica”. Mas “se colocar em questão seria visto como admitir que os adversários tinham razão”, analisa o cientista político e especialista da história do PT, Claudio Couto.

PT adotou discurso ofensivo, frontal e caricatural

Ouvido pelo Le Monde, Couto confirma que, “desde sua liberação, Lula não apresentou propostas concretas” e aponta que, desde que se transformou novamente em oposição, o partido “adotou um discurso ofensivo, frontal e caricatural”. Prova disso foi a decisão, anunciada no sábado (8), de que o PT recusaria qualquer tipo de aliança para as eleições municipais de outubro com partidos de centro, como o DEM, ou da direita, como o PSDB. Segundo o vespertino, Lula rejeita a oposição institucional e privilegia a mobilização das ruas, como aconteceu no Chile.

“Uma linha dura que está longe de agradar a todos, principalmente na ala mais moderada do PT, na qual algumas vozes tímidas já começam a criticar a estratégia do chefe”, explica o correspondente, que usa como exemplo o governador da Bahia, Rui Costa, que pediu que Lula pregasse uma “pacificação do país”.

Mas a tensão também começa a se sentir entre os aliados de esquerda, que questionam o culto ao líder histórico. “Os chefes de partido, entre eles Lula, devem colocar de lado seus interesses pessoais para construir saídas para o país”, declarou o deputado do PSB, Alessandro Molon, citado pelo Le Monde. “Senão, Bolsonaro vai ser reeleito e a democracia brasileira será destruída”, anuncia o parlamentar.

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