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“Lusofonia é uma utopia”, diz historiador Sébastien Rozeaux sobre relação entre Brasil e Portugal

Áudio 07:07
Sébastien Rozeaux acaba de lançar o livro "Préhistoire de la Lusophonie"
Sébastien Rozeaux acaba de lançar o livro "Préhistoire de la Lusophonie" RFI

O historiador francês Sébastien Rozeaux acaba de lançar um livro sobre as relações culturais entre Brasil e Portugal. Em entrevista à RFI, ele fala sobre os limites da ideia de que os dois países teriam um diálogo privilegiado em razão de seus elos linguísticos comuns.

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Rozeaux é especialista em história ibero-americana e há anos estuda as relações entre Brasil e Portugal. No livro "Préhistoire de la lusophonie – Les relations culturelles luso-brésiliennes au XIX siècle" (Pré história da lusofonia – As relações culturais luso-brasileiras no século XIX), o professor da Universidade Toulouse Jean Jaurès se interessa pelas mudanças ocorridas após a independência, em 1822, quando teve início um processo mais amplo de construção de uma identidade brasileira.

“Os dois países separados, independentes, construíram uma relação específica, a partir de meados do século 19, que passa pela afirmação de alguns atores do meio cultural e intelectual de uma relação privilegiada, de uma fraternidade luso-brasileira”, explica o historiador. Durante todo o livro, o autor aponta vários momentos de cumplicidades fraternais, mas também de rivalidades transatlânticas entre as duas nações, em um movimento que coincide com um certo enfraquecimento de Portugal no cenário mundial.

“O conceito de soft power não existia no século 19, mas o processo remete a essa ideia de que Portugal, perdendo a joia do império que era o Brasil, ficou restrito às fronteiras de um país pequeno e começou a pensar outras perspectivas”. Essa busca de influência passava pelas colônias africanas, chamadas na época de ‘novos Brasis’, mas principalmente pelo país latino-americano, em uma relação que passou a se manifestar por meio da imigração portuguesa, mas também pela troca de ideias entre as elites intelectuais dos dois países.

Lusofonia existe?

No entanto, como lembra Rozeaux essa noção de uma identidade luso-brasileira, cultivada por alguns, encontrou dificuldades para se consolidar. “É um processo bastante complicado e utópico, que vinha de Portugal, para conseguir ter importância além das fronteiras do país”, insiste o autor, reforçando que esse projeto acontece em um “contexto de declínio do império português”. Mas “a vontade de construir um espaço comum, uma comunidade luso-brasileira, não existia para muita gente, seja em Portugal ou no Brasil”.

Um dos frutos dessa proximidade é CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. No entanto, como ressalta o historiador, ao contrário da francofonia, que se beneficia de instituições mais antigas e mais influentes, a ideia de países ligados pela língua portuguesa não teve o mesmo impacto. “Muitos historiadores e intelectuais, inclusive portugueses, dizem que a lusofonia não existe e que é uma utopia feita por portugueses, como uma tentativa de fazer renascer essa ideia de um grande Portugal”, frisa o autor.

 

Assista a entrevista completa no vídeo abaixo. 

 

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