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No Dia Mundial do Rádio, radialista fala sobre inclusão de deficientes

Áudio 06:59
O radialista Marcos Rangel é cego e apresenta o programa Rádio Inclusão, na Rádio Alerj, desde 2017.
O radialista Marcos Rangel é cego e apresenta o programa Rádio Inclusão, na Rádio Alerj, desde 2017. Octacílio Barbosa/ Alerj

Nesta quinta-feira, 13 de fevereiro, comemora-se o Dia Mundial do Rádio. A data, uma iniciativa da Unesco, celebra desde 2012 este veículo de comunicação democrático e global. Para este ano, a Unesco escolheu o tema Diversidade, e a RFI conta a história de um programa que fala exclusivamente de deficiência.

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O radialista fluminense Marcos Rangel é cego e trabalha em rádio há quase 30 anos. Ele apresenta desde 2017 o programa Rádio Inclusão, que vai ao ar todas as sextas-feiras na rádio da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), abordando temas como acessibilidade, mercado de trabalho, comportamento e sexualidade, além de revelar histórias de superação de quem aprendeu a driblar o preconceito.

“Eu sou militante na questão da deficiência há muitos anos. E trabalho em rádio porque acredito que a informação é muito importante para desfazer mitos, preconceitos”, diz o radialista, que começou a carreira quando ainda estava na escola, numa rádio comunitária no bairro de Encantado, no Rio de Janeiro.

Rangel também se formou advogado, mas foi no rádio onde encontrou seu lugar. Hoje, além de apresentar esse programa na Rádio Alerj, ele trabalha como produtor da CBN Rio.

Combate à desinformação

Seu leitmotiv é combater a desinformação para, com isso, quebrar os preconceitos em torno das pessoas com deficiência. “Eu uso o programa para falar de todas as deficiências, porque há uma desinformação geral. Entrevisto pais de crianças com deficiências, que contam como receberam a notícia, psicólogos e profissionais”, conta.

O radialista luta pelo direito à inclusão na educação. “Hoje, na teoria, não há mais a necessidade de escolas especiais, toda criança com deficiência tem o direito de ir a uma escola normal, mas as escolas têm uma resistência muito grande, dizem que não estão preparadas. Isso é uma briga que já vem de bastante tempo, dos pais com as escolas. E a gente pressiona, pois, se aceitar que não estão preparadas, não vão ficar nunca”, defende.

Outra questão que ele aborda com frequência em seu programa é a trabalhista. “É um ponto difícil da pessoa com deficiência: ser contratada por uma empresa. A gente é muito desacreditada ainda. Muito embora a Constituição garanta um percentual de vagas para deficientes em empresas, de acordo com o número de empregados, as empresas acabam contratando quem tem uma deficiência muito leve, um dedinho torto. Sempre burlando a legislação. E as pessoas com deficiências mais severas – sobretudo as intelectuais – sofrem muito preconceito”, afirma.

Programa militante

Rangel não tem medo de defender a causa e ser visto como um radialista militante. “O programa é para ser militante mesmo. Eu entrevisto também pessoas que deram a volta por cima e vivem uma vida normal, apesar do fator limitante em algumas questões. Eu sou cego e não posso dirigir um carro, por exemplo, mas posso fazer milhões de outras coisas que você faz, que todo mundo faz”, explica.

“Se no Rio de Janeiro, ainda existe um preconceito muito grande, eu fico pensando no interior do país, onde o conceito de pessoa com deficiência ainda é o de invalidez”, diz ele, lembrando que “o rádio é um instrumento fantástico para a inclusão.

“Então o programa pretende atingir os pais de pessoas com deficiências e mostrar que o filho tem um potencial que pode ser desenvolvido e para as próprias pessoas com deficiência que, de tanto ouvirem que são inválidas, que são incapazes, acabam assumindo isso também. E essa é a minha maior preocupação”, acrescenta.

O radialista destaca a importância do rádio para a divulgação da causa e para a desmitificação da deficiência.

“O rádio tem este poder. O rádio entra em qualquer lugar, atinge lugares onde a televisão não vai. É um instrumento excelente para a divulgação de campanha e programas educativos e informativos”, conclui.

Para ouvir o programa Rádio Inclusão, basta acessar o site da Rádio Alerj.

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