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Cinema/Brasil

Cinema brasileiro é alvo de “sabotagem”, diz Kléber Mendonça, membro do júri da Berlinale

Da direita para a esquerda, Mendonça Filho, ao lado de Annemarie Jacir, Kenneth Lonergan, Jeremy Irons e Berenice Béjo.
Da direita para a esquerda, Mendonça Filho, ao lado de Annemarie Jacir, Kenneth Lonergan, Jeremy Irons e Berenice Béjo. RFI

O cineasta Kléber Mendonça Filho, membro do júri da 70ª edição da Berlinale, comentou a situação do cinema brasileiro durante a coletiva de imprensa de abertura do evento. Para ele, a 7ª arte no Brasil vive um momento de histórico. No entanto, as mudanças recentes na política cultural do país são vistas como uma ameaça para o diretor do premiado Bacurau.

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Enviado especial a Berlim

Esta edição é marcada por um recorde de filmes brasileiros, como 19 longas, curtas, documentários e coproduções, presentes em diferentes seleções. Entre eles está “Todos os mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, que concorre ao Urso de Ouro, o principal prêmio da Berlinale.

“Este é o melhor momento que o cinema brasileiro já viveu”, celebrou Mendonça Filho, após agradecer o empenho de Carlo Chatrian, que estreia este ano à frente do evento alemão. No entanto, o diretor de Bacurau ressalta que esse momento também coincide com ataques visando a 7ª arte no país.

“O cinema brasileiro tem uma longa história, muito variada, resultado de 15, 20 anos de muito trabalho duro, construindo políticas que nos ajudam a fazer filmes, não apenas no Rio de Janeiro e São Paulo. E é exatamente isso que estão tentando destruir nesse momento. É uma sabotagem”, lançou o cineasta ao ser questionado por diferentes jornalistas sobre o estado da cultura no Brasil.

Mendonça Filho, que começou a carreira como crítico de cinema antes de se tornar diretor, milita há anos pela 7ª arte e, sempre que pode, se posiciona sobre a política brasileira. Nos últimos meses, após o sucesso de “Aquarius” e desde que “Bacurau” ganhou o prêmio do júri do Festival Internacional de Cinema de Cannes, ele viaja pelo mundo divulgando seu filme e multiplica declarações de alerta sobre as mudanças na política de incentivo às artes no país.  

No entanto, o diretor não se mostra abatido com o contexto. “Eu converso com muitos jovens cineastas e sempre digo que, apesar da situação, este é um bom momento para fazer filmes. Eles têm a tecnologia para isso. Eu mesmo continuo fazendo meus filmes. Isso não vai mudar”, concluiu.

Kléber Mendonça Filho é um dos membros do júri da competição principal do Festival de Cinema de Berlim, que este ano é presidido este ano pelo ator britânico Jeremy Irons. Também fazem parte a atriz franco-argentina Bérénice Bejo, a produtora alemã Bettina Brokemper, a diretora palestina Annemarie Jacir, o diretor norte-americano Kenneth Lonergan, e o ator italiano Luca Marinelli.

A Berlinale vai até 1° de março.

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