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Populismo de Bolsonaro cria situação desesperadora para região, diz Les Echos

A imprensa francesa dá amplo destaque nesta segunda-feira aos mais de 50.000 mortos na epidemia de coronavírus no Brasil
A imprensa francesa dá amplo destaque nesta segunda-feira aos mais de 50.000 mortos na epidemia de coronavírus no Brasil © Fotomontagem RFI

A imprensa francesa dá amplo destaque nesta segunda-feira (22) aos mais de 50.000 mortos na epidemia de coronavírus no Brasil. O diário econômico Les Echos aponta a América Latina como o continente "mais desesperado" ante a pandemia, até mais do que a África. A Covid-19 provoca uma crise de múltiplas facetas na região: sanitária, econômica, social e política.

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A América Latina concentra apenas 8% da população mundial, mas registra mais da metade das mortes recentes provocadas pela nova infecção viral. "O Brasil bateu o triste recorde esta semana, com 50.000 novos pacientes em um único dia", reporta o Les Echos. A situação também é dramática no Equador e no Peru, com mais de 300 mil infectados, quase o mesmo número de casos que França e Alemanha juntos, com a diferença que os dois países europeus têm uma população três vezes maior.

Em toda a região, apenas dois países escapam a esse contexto dramático: o Uruguai e a Costa Rica, dois Estados mais democráticos, nota Les Echos, e que contam com a confiança dos cidadãos em seus governos. "A confiança, por sinal, é algo raro na região", ressalta o texto.

O jornal francês sabe que a pobreza agrava a crise sanitária, mas diz que o problema também é político. "O fato que as três maiores economias latino-americanas – Brasil, Argentina e México – estejam nas mãos de líderes populistas reforça a polarização e as divisões", dificultando um encaminhamento positivo para a crise.

Para o Les Echos, "nessa galáxia de líderes populistas, existe um personagem único em sua categoria: Jair Bolsonaro". "Nesse período de pandemia, o Trump dos trópicos, consegue se superar, com apenas 20% de opiniões favoráveis a seu governo", escreve o diário.

Papel da PM é uma incógnita num eventual processo de impeachment

"Resta uma questão decisiva para esse país, acostumado a golpes de Estado: o que os militares farão desse presidente que se tornou um perigo para a saúde pública da população?", indaga.

Depois de analisar o comportamento dos militares até agora, Les Echos chega à conclusão que o aspecto ainda desconhecido da crise política no Brasil é o posicionamento da Polícia Militar. "O que farão as PMs, próximas de Bolsonaro, se o Legislativo e o Judiciário decidirem avançar com o pedido de impeachment do presidente, por corrupção e incompetência, como aconteceu com Dilma Rousseff?", questiona Les Echos.  

Além do esfacelamento da maior economia da América do Sul, e suas repercussões nos vizinhos, o jornal francês faz uma segunda constatação. Os Estados Unidos não se interessam mais pela região que deixaram para a China tomar conta. A América Latina se vê, então, isolada e dividida para enfrentar seus demônios: a violência extrema, a corrupção, as desigualdades sociais e raciais e a miséria agravada pela queda dos preços do petróleo e das matérias-primas.

"O continente parece estar à deriva", lamenta Les Echos. "A África é mais miserável, mas a falta de esperança gritante na América Latina faz desse continente, talvez, o mais desesperado do mundo diante da Covid-19", conclui o diário.

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