Acessar o conteúdo principal
Saúde

Simpósio reforça cooperação científica entre o Estado de São Paulo e a França

Áudio 05:08
O presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Marco Antonio Zago.
O presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Marco Antonio Zago. (Foto: Taissa Stivanin/RFI Brasil)

Evento organizado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) na França reuniu projetos franco-brasileiros em diferentes áreas.

Publicidade

A Fapesp organiza com frequência eventos internacionais com o objetivo de desenvolver pesquisas conjuntas nas três principais universidades públicas do Estado: USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade de Campinas) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A ideia é fortalecer a cooperação científica com instituições de outros países, como a França.

Para isso, a fundação criou a Fapesp Week: um conjunto de apresentações sobre projetos em diversas áreas, que vão da física à psicologia. Nos dias 21 e 22 de novembro, o simpósio aconteceu em Lyon, no sul da França. Paris sediou o evento nos dias 25 e 26 de novembro, no anfiteatro da universidade francesa Paris Diderot, situada no 13° distrito da capital.

Imune ao terremoto político e econômico vivido pelo país, a Fapesp tem acesso por lei a um orçamento de 1% do total da receita tributária de todo o Estado de São Paulo, explicou em entrevista à RFI Brasil o presidente da fundação, o hematologista Marco Antonio Zago, ex-reitor da USP. “Reconheço que São Paulo tem uma situação privilegiada em relação à ciência e à tecnologia. Isso se deve a muitos fatores, mas eu apontaria pelo menos dois que são muito importantes: o orçamento da fundação é garantido pela Constituição do Estado de São Paulo", diz.

"A Fapesp recebe 1% da receita tributária do Estado há mais de 60 anos, e de todos os governos, de qualquer cor ou linha política. Isso sempre foi mantido”, conta Zago. “Temos um orçamento que é significativo e permanente, estável. A estabilidade é fundamental para planejar a ciência.”

Além disso, ele continua, as três universidades públicas estaduais são mantidas em parte com recursos previstos no decreto que atribui 9,5% de toda a arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) estadual às instituições. “As universidades têm completa independência de atuação, o orçamento não varia de acordo com o humor do governador ou do governo”, reitera.

Esta proteção orçamentária, que existe exclusivamente em São Paulo, garante à Fapesp e às universidades a continuidade de seus projetos, apesar da conjuntura atual provocada pela desaceleração econômica. A ciência e a pesquisa também foram alvos de cortes, lembra o presidente da fundação, mas as consequências foram menores para as instituições de pesquisa do Estado de São Paulo em relação ao restante do Brasil.

Os investimentos em ciência e tecnologia foram, em 2018, de US$ 14 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões), sendo que 56% veio do setor privado. “Aproximadamente 74 mil pesquisadores do Estado estão em entidades privadas”, exemplifica o representante da Fapesp.

Esse financiamento garante a realização de pesquisas a longo prazo e faz da fundação um nicho de primeiro mundo. Um exemplo recente foi o sucesso do primeiro teste de uma terapia inovadora contra o câncer, divulgado em outubro. Ele foi realizado por uma equipe de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, que utilizou a chamada técnica CAR-T, que consiste em modificar as células DNA do próprio paciente em laboratório e reimplantá-las para que sejam capazes de combater a doença.

O teste realizado com um paciente portador de um linfoma não-Hodgkin, câncer grave do sangue, em estado terminal, permitiu uma melhora imediata. “A CART-T é uma forma de imunoterapia, em que você retira as células do próprio paciente, separa as células T (linfócitos T), que fazem uma parte da imunidade. Eles são modificados, colocando-se um gene externo, que vai criar um novo receptor, armar a célula, dar para ela uma ‘metralhadora’ para então destruir o tumor”, explica. “Nossos cientistas obtiveram esse resultado usando uma nova maneira de modificar o gene que faz sua expressão.”

Colaboração com a França

O representante da fundação lembra que a instituição financia pesquisas em áreas variadas, que incluem as ciências sociais e artes, representadas em vários painéis apresentados na França. “Para selecionar os temas apresentados, escolhemos os pesquisadores do Estado de São Paulo que já têm colaboração com a França. Procuramos escolher temas em que haja correspondências dos dois lados, de tal maneira que a gente sempre possa convidar pesquisadores do Estado de São Paulo e da França que trabalhem em áreas correlatas”, diz.

Marco Antonio Zago destaca que as ciências sociais são muito importantes para o Estado de São Paulo. A USP, lembra, iniciou suas atividades em 1934, com a contribuição de pesquisadores franceses. Entre eles, o sociologo Paul Arbousse-Bastide e o antropólogo Claude Levi-Strauss, que ajudaram a fundar a universidade.

Essa influência francesa, reconhece Zago, é menor nas outras áreas de estudo. “Nas chamadas “ciências duras” (ciências naturais), a influência anglo-saxã e americana são maiores, mas também nessas áreas temos uma relação muito forte com a França”, salienta. Independentemente da área, um dos objetivos principais da Fapesp é atrair mais pesquisadores para o Brasil. “O que queremos é promover projetos de pesquisa em cooperação, planejados por cientistas franceses e brasileiros”, conclui.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.