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Ciência/Clima

Condições climáticas extremas fizeram 370 mil mortos na 1ª década do século 21, diz ONU

Imagem captada via satélite do furacão Sandy, que atingiu o Caribe e a costa leste dos EStados Unidos em agosto de 2012.
Imagem captada via satélite do furacão Sandy, que atingiu o Caribe e a costa leste dos EStados Unidos em agosto de 2012. AFP PHOTO / NASA GOES PROJECT/

A primeira década do século 21 foi marcada por uma aceleração do aquecimento global e a multiplicação de condições climáticas extremas que fizeram um total de 370 mil mortos, segundo um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM). A agência da ONU indica que o número de vítimas dessas ondas de calor (em 2003 na Europa e em 2010 na Rússia), furacões (Katrina nos Estados Unidos em 2005) e ciclones (Nargis na Birmânia em 2008) aumentou 20% em relação à década precedente (1991-2000).

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"Com exceção de 2008, cada ano da década que vai de 2001 a 2010 está entre os dez mais quentes já registrados; o recorde foi atingido em 2010", afirma o documento.

Além disso, 2010 foi o ano mais chuvoso já registrado em todo o mundo desde o início das medições com instrumentos.

"O clima esquentou claramente entre 1917 e 2010 e o ritmo de aumento das temperaturas nos períodos 1991-2000 e 2001-2010 não tem precedentes", comentou Michal Jarraud, secretário-geral da OMM.

"As concentrações cada vez maiores de gases com efeito estufa, que aprisionam o calor, estão transformando nosso clima, com consequentes mudanças no meio ambiente e nos oceanos", acrescentou ele.

Segundo o especialista, devemos estar preparados para ondas de calor mais frequentes e intensas. As que aconteceram na última década foram particularmente trágicas, contabilizando um total de 136 mil mortes. Na década de 1991 a 2000 as ondas de calor haviam feito menos de seis mil mortos.

A temperatura média na superfície das terras e dos oceanos para a primeira década do século 21 é estimada em 14,47 °C, ou seja um aumento de 0,47 °C em relação à média calculada para o período de 1961 a 1990. O ritmo decenal de aumento da temperatura é de 0,21 °C, enquanto na década precedente havia ficado em 0,14 °C.

Fenômenos extremos

As inundações foram o fenômeno extremos observado com mais frequência no leste europeu, na Índia, na África, na Ásia e em particular no Paquistão em 2010 e na Austrália.

Mas a seca afetou mais pessoas que as outras catástrofes, pois ela atinge zonas mais extensas e dura mais tempo, sobretudo na Austrália, na África ocidental e na bacia amazônica.

O ciclone Nargis, que atingiu a Birmânia em maio de 2008, foi o mais mortífero da década. Mais de 130 mil pessoas morreram ou desapareceram e 8 milhões ficaram desabrigadas.

Com o derretimento das geleiras, o nível médio do mar aumentou ao ritmo de 3 milímetros por ano em média durante a primeira década do século 21, o dobro do aumento constatado em média durante todo o século 20 (1,6 mm por ano). O mar subiu em média 20 centímetros em relação à década de 1880.

Os especialistas continuam investigando para saber se devem imputar esses fenômenos extremos às mudanças climáticas ou à variabilidade natural do clima e até agora não chegaram a uma resposta inequívoca, indica a OMM.

Mas a agência nota que os cientistas "chegam cada vez mais frequentemente à conclusão de que a alta generalizada ds temperaturas sem dúvida aumentou significativamente a probabilidade de uma onda de calor como a que atingiu a Europa em 2003".
 

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