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Saúde

Uso de robôs pode ajudar na luta contra banalização da cesariana no Brasil

Áudio 05:33
Bonecos em tamanho natural reproduzem os reflexos de uma paciente grávida em um centro cirúrgico.
Bonecos em tamanho natural reproduzem os reflexos de uma paciente grávida em um centro cirúrgico. facebook.com/pages/iLumens

A simulação de procedimentos médicos é cada vez mais usada no treinamento de profissionais da saúde pelo mundo. No Brasil, onde é disponível apenas em alguns centros hospitalares ou universitários, a técnica é aplicada em várias áreas, inclusive na obstetrícia, onde é vista como uma arma na luta contra a banalização da cesariana no país.

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A simulação realística consiste em usar instrumentos que reproduzem, em condições reais, uma determinada situação. Uma das áreas mais conhecidas na aplicação dessa técnica é a aviação, onde pilotos treinam em simuladores de voo antes de comandar uma aeronave de verdade.

Mas o técnica também existe na medicina, onde, graças à instrumentos diversos, é possível treinar médicos e enfermeiros sem colocar em risco a vida de um paciente de verdade. A simulação por ser feita por meio de vários materiais, como robôs ou bonecos que reproduzem reflexos de seres humanos, ou ainda os chamados “pacientes modelos”, interpretados por atores.

Treinamento antes do parto natural

Uma das práticas que tem se desenvolvido cada vez mais é a simulação realística obstetrícia. Nesse caso, os simuladores são uma espécie de robô em tamanho natural que apresenta todas as características de uma paciente na hora do parto.

O procedimento ajuda médicos e enfermeiros a enfrentarem as urgências decorrentes das possíveis complicações do parto natural e pode servir de arma para mudar um cenário preocupante no Brasil : a banalização das cesarianas. As brasileiras são as campeãs do mundo nesse tipo de intervenção, aplicada em mais da metade dos nascimentos do país, contra 18% em média no resto do mundo.

Algumas instituições abraçaram a causa, como o Iness (Instituto de Ensino e Simulação em Saúde), em Salvador, na Bahia, que decidiu se dedicar à questão. “Nós elegemos 2015 o ano da obstetrícia, com cursos para que o médico se sinta seguro durante suas intervenções", explica o cirurgião Izio Kowes, coordenador geral da instituição. O objetivo é incentivar os profissionais a praticarem mais partos naturais. “O treinamento é feito com manequim e é possível repetir o procedimento quantas vezes for necessário, errar sem prejudicar ninguém e aprender com os próprios erros”, comenta Kowes.

Simulação não está no programa obrigatório das faculdades

Além do Iness, o Brasil conta com outros centros importantes na área, como no Hospital Albert Einstein e a Universidade Anhembi-Morumbi, ambos em São Paulo, além do Instituto do Câncer, que inaugurou um centro de simulação realística este ano. Mas Kowes lembra que, por enquanto, a maior parte das iniciativas estão em unidades privadas e que o uso dessas técnicas ainda tem um longo caminho pela frente no país. “A legislação do ministério brasileiro da Educação começou a incorporá-las nas grades curriculares, de forma não-obrigatória, mas dando uma forte sugestão para a aplicação. Mas eu tenho certeza que no futuro as faculdades de saúde serão obrigadas a integrar a simulação em seus programas”, aposta.

Esse já é o caso nos Estados Unidos, onde praticamente todas as universidades de medicina estão equipadas para aplicar o método. As instituições norte-americanas são, junto com as israelenses, os principais centros de excelência na área. Já na França, as técnicas de simulação realística não são oficialmente integradas aos programa das faculdades de medicina, mesmo se vários hospitais disponibilizam essas técnicas para seus internos.

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