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Meio Ambiente

ONGs estão otimistas sobre acordo da COP21

Áudio 04:48
Ativistas do Greenpeace protestaram com sua famosa mascote: o urso polar gigante, Aurora, na COP21. Le Bourget, 09 de dezembro de 2015.
Ativistas do Greenpeace protestaram com sua famosa mascote: o urso polar gigante, Aurora, na COP21. Le Bourget, 09 de dezembro de 2015. REUTERS/Jacky Naegelen

Ainda restam quase 50 trechos sem definição no projeto de acordo sobre o clima que está sendo negociado na 21ª Conferência do Clima de Paris (COP21). Mas o documento divulgado nesta quarta-feira (9) trouxe boas surpresas para os ambientalistas, acostumados a acompanhar belos discursos políticos que resultam em pouca evolução concreta nessas conferências internacionais.

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As organizações não-governamentais, que representam um instrumento fundamental de pressão nas negociações sobre o acordo, viram com bons olhos o número reduzido de páginas do documento. A diminuição de 48 para 29 páginas simboliza mais convergência nas opiniões.

“Estamos otimistas. É a primeira vez que temos um texto tão limpo, a dois dias do final da COP. Em Copenhague, nesse momento, estávamos com mais de 50 páginas e com assuntos muito polêmicos ainda sendo discutidos”, lembra André Nahur, da WWF Brasil. “O texto está em uma boa direção, a condução do processo pelo presidente da COP tem sido muito boa. Talvez essa COP até termine na sexta-feira, o que seria outro momento histórico em todas as convenções de clima.”

Texto mantém pontos essenciais

A avaliação comum é de que os pontos considerados essenciais para um bom acordo em Paris permanecem no texto e não foram vetados pelos ministros. A inclusão de um mecanismo de revisão periódica dos compromissos assumidos pelos países foi a mais comemorada. A tendência é de que, a cada cinco anos, os governos tenham de aumentar as suas metas de redução de emissões, para garantir que o aquecimento do planeta não será superior a 2°C até o final do século.

“Esse texto ainda tem boas opções para praticamente todos os assuntos que o Greenpeace vê como cruciais, portanto temos um bom espaço de negociação e pressão para que saia, de fato, um acordo bom e relevante. Mas não será fácil garantir isso ainda”, adverte Pedro Telles, do Greenpeace. “Estamos avançando nessa boa direção, perto do final, mas ainda há espaço de risco.”

Outro ponto positivo é que, pela primeira vez, o rascunho menciona a possibilidade de US$ 100 bilhões anuais serem oferecidos para os países em desenvolvimento a partir de 2020. No entanto, de uma maneira geral, ainda falta clareza sobre a definição do financiamento, a questão que mais tem travado as negociações.

“Em financiamento, nada está claro: nem sobre de onde vai sair o dinheiro pré-2020, nem pós-2020”, destaca Oscar Soria, coordenador de campanha da Avaaz. “Estamos cautelosamente otimistas. Estamos vendo um movimento com muita força e achamos que haverá um bom acordo, mas agora vamos continuar lutando nas próximas horas, que são decisivas.”

"Projeto de longo prazo está em risco”

Pedro Telles ressalta que os negociadores estão concentrados em definir ações para um espaço muito curto de tempo, o que levanta dúvidas sobre a transição para uma economia sustentável no futuro. “É fundamental termos um compromisso de longo prazo para 2050, visando acabar com as energias sujas, como o petróleo e o carvão, e ficar só com as renováveis. Esse projeto de longo prazo está em risco”, indica.

O mais importante, na opinião de André Nahur é que, pela primeira vez, um número tão alto de países vai assumir algum compromisso para diminuir a poluição. Por mais que o resultado não atenda a todas as expectativas, o texto já é encarado como um documento histórico em favor do meio ambiente.

“Esse novo acordo entra em uma nova fase, diferente do Protocolo de Kyoto, porque todos os países vão ter uma meta, um compromisso que eles vão ter que cumprir. Se não fizermos isso, teremos um cenário de mais 3°C de aumento de temperatura média no mundo”, comenta o porta-voz da WWF Brasil.

O objetivo da presidência francesa da COP21 é finalizar o texto nesta quinta-feira, para ser assinado no dia seguinte, data do encerramento da conferência.

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