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Ciência e Tecnologia

Algoritmo vence jogo Go, o "Santo Graal" da inteligência artificial

Áudio 05:19
Google DeepMind, setor da empresa que investe em projetos de inteligência artificial
Google DeepMind, setor da empresa que investe em projetos de inteligência artificial (Foto: Divulgação)

Pela primeira vez na história, um programa de computador conseguiu vencer um campeão de Go, um jogo de estratégia surgido na China e considerado um dos maiores desafios para os pesquisadores em Inteligência Artificial.

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Popular na Ásia, Go é um jogo de estratégia criado na China há cerca de 2.500 anos. Desde o advento da internet, o Go on-line conquistou internautas no mundo todo, inclusive no Brasil. Sua dificuldade consiste no número de combinações possíveis, maior que as do xadrez. Esse aspecto faz  dele um desafio para os pesquisadores em inteligência artificial - simulações matemáticas das sinapses dos neurônios humanos, que determinam as ações cerebrais.

Uma equipe da GoogleMind, divisão do Google que se dedica à questão, criou um algoritmo que conseguiu o feito de vencer um jogador profissional: Fan Hui, um francês de origem chinesa, considerado como o melhor da Europa. O programa, chamado Alpha Go, surpreendeu o mundo da tecnologia. A vitória aconteceu em outubro, mas só agora foi divulgada pelo Google. O próprio Hui disse à imprensa francesa estar admirado como o robô jogava “como um humano”. Em março, o superalgoritmo vai enfrentar o sul-coreano Lee Sedol, 32, uma verdadeira máquina humana de Go.

O que faz a inteligência artificial?

Para entender a importância desse feito, é preciso antes compreender um pouco o que faz e estuda a inteligência artificial. Como o próprio nome diz, o objetivo é "ensinar" as máquinas a pensarem como humanos. Tudo isso é colocado em prática em fórmulas matemáticas dificilmente compreensíveis para o cidadão comum.

Um desses métodos, utilizado pelo Alpha Go, é o chamado deep learning. Trata-se de um conjunto de modelos de cálculo inspirado no funcionamento das camadas mais profundas dos neurônios biológicos, surgido nos anos 80, e que se desenvolveu com a Internet e das bilionárias empresas de novas tecnologias, que passaram a financiar estudos.

Na prática, essas pesquisas implicam na capacidade da máquina, por exemplo, de reconhecer uma imagem ou a linguagem que está sendo falada. O método é muito usado no reconhecimento facial e vocal como é o caso do programa Siri, da Apple. Esses robôs são capazes, dissecando modelos matemáticos que incluem bilhões de dados, a agir como um humano em determinados casos.

Reproduzindo emoções humanas

Indo um pouco mais longe, esses programas poderiam no futuro decodificar e reproduzir emoções humanas, por exemplo  - uma situação bem ilustrada no filme “inteligência artificial”, de Steven Spielberg, lançado em 2001.  Longe da ficção científica, a vitória do Alpha Go mostra que os progressos na área são cada vez maiores, e o método utilizado é comprovadamente eficaz. 

“Uma consequência positiva para os pesquisadores da área é que isso abre várias portas no campo industrial. Se dissermos que o método de redes profundas, utilizado pelo Google pra vencer Fan Hui, pode resolver o problema, talvez agora as pessoas acreditem com mais facilidade”. explica o pesquisador em inteligência artificial Olivier Teytaud, do Instituto Nacional em Pesquisa Informática na França.

Dificilmente compreensível para o grande público

Na verdade, a Inteligência Artificial é uma ciência tão complexa que falar dela para um público não-especializado é um desafio que mesmo as máquinas potentes e os super algoritmos ainda não conseguiram resolver.

“Essas redes profundas são muito eficazes no reconhecimento de imagens, voz, e a previsão de maneira geral. O resultado é impressionante nesta área de estudos das redes profundas, que simula neurônios biológicos pelo computador. Não esperávamos isso antes dos resultados divulgados pela Universidade de Edimburgo”, destaca Teytaud. A universidade escocesa realiza um estudo sobre o tema e foi a primeira a demonstrar que esse tipo de rede neuronal pode ser utilizada em jogos.

Algoritmo de jogo gera guerra entre Google e Facebook

A inteligência artificial e os algoritmos capazes de derrotar um profissional no go são objeto de uma competição entre Google e Facebook, que também já anunciou ter construído um programa imbatível no jogo.
Para entender essa guerra, é preciso saber que o go é considerado o “ Santo Graal” da inteligência artificial, o símbolo da pesquisa na área.

Ao anunciar a vitória de AlphaGo, Google torna acessível o assunto ao grande público, e se consolida mais uma vez como a empresa símbolo das novas tecnologias e da era digital no imaginário coletivo. Esta é também uma maneira de falar sobre uma questão hermética, ainda restrita aos laboratórios de pesquisa informática.

Em 2012, a empresa já havia surpreendido ao anunciar o desenvolvimento de um programa capaz de descobrir o conceito de “gato” analisando dez milhões de imagens aleatórias do  YouTube. “Há muito barulho em torno do go. Na França, as pessoas jogam pouco. Poucas pessoas sabem que existe, mas se trata de um jogo importante em outros países", afirma Teytaud.

Em termos de prestígio, conseguir vencer um humano profissional é um grande desafio. São duas estratégias diferentes: Facebook mostrou cedo o que estava fazendo, colocou seu paper na internet e as pessoas podem olhar como o algoritmo joga. E Google escondeu tudo, só anunciou recentemente essa vitória contra um jogador profissional”, resume o pesquisador francês.

 

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