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Saúde/ zika

Pesquisadores descobrem anticorpos que “neutralizam” zika

Mosquito Aedes aegypti transmite a dengue e o zika.
Mosquito Aedes aegypti transmite a dengue e o zika. REUTERS/Paulo Whitaker

Pesquisadores europeus anunciaram nesta quinta-feira (23) ter descoberto "poderosos" anticorpos capazes de "neutralizar" o vírus da zika. A descoberta abre caminho para uma vacina contra o vírus, relacionado a uma série de problemas cerebrais.

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O estudo foi publicado na prestigiosa revista científica Nature. A descoberta coincide com uma outra pesquisa, também divulgada nesta quinta-feira, que sugere que a recente explosão de zika na América Latina poderia ter sido favorecida por uma pré-exposição à dengue.

Os dois vírus têm vários aspectos em comum. Pertencem à família dos flavovírus, transmitidos especialmente por mosquitos.

Semelhanças com a dengue foram decisivas

Pesquisadores do Instituto Pasteur de Paris, do CNRS e do Imperial College de Londres, que já estudavam os anticorpos capazes de combater a dengue, passaram a analisar igualmente o vírus do zika. Eles selecionaram dois anticorpos EDE capazes de bloquear a dengue e descobriram que um era particularmente eficaz para "neutralizar" o zika.

A partir daí, conseguiram reconstituir o local preciso onde esse anticorpo se fixa sobre a proteína que envolve o vírus e descobriram que era o mesmo lugar do vírus da dengue.

A descoberta foi "totalmente inesperada", segundo Félix Rey, responsável pelo laboratório de virologia estrutural do Instituto Pasteur, que dirigiu o estudo. De acordo com Juthathip Mongkolsapaya, outro pesquisador, tratam-se dos "primeiros anticorpos muito poderosos" descobertos contra o zika, um vírus considerado por muito tempo como sendo pouco perigoso.

A epidemia que atinge os países da América do Sul, especialmente o Brasil, fez aparecer complicações neurológicas e sobretudo graves anomalias no desenvolvimento cerebral dos fetos de mães infectadas com o zika, como microcefalia fetal. A propagação dos casos levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma "urgência de saúde pública de nível internacional", em fevereiro.

Até o momento, não existe nenhum medicamento contra o zika, ao contrário da dengue, contra a qual existe uma vacina desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi.

Com informações da AFP

 

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