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Saúde

Cientistas reforçam alerta para perigo de celulares e tablets para crianças

Áudio 05:06
Uso excessivo de tablets pode prejudicar o desenvolvimento das crianças.
Uso excessivo de tablets pode prejudicar o desenvolvimento das crianças. Flickr/ Creative Commons

A Agência Francesa de Segurança Sanitária (Anses) divulgou um relatório a respeito da exposição de crianças a ondas eletromagnéticas de aparelhos sem fio, como tablets e celulares. O uso prolongado desses aparelhos poderia prejudicar as funções cognitivas das crianças, especialmente a memória, a atenção e a coordenação. Pesquisadores brasileiros reforçam os apelos de precaução já feitos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

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Álvaro Augusto de Almeida de Salles e Claudio Enrique Fernández-Rodriguez, professores do Departamento de Engenharia Elétrica da UFRGS, estudam os efeitos de ondas eletromagnéticas no corpo humano há cerca de 20 anos, com vários trabalhos publicados na literatura científica internacional.

O professor Álvaro começa explicando que “essas ondas eletromagnéticas são irradiadas em diversas direções. As que chegam às pessoas podem ser absorvidas pelo tecido, causando danos. Um celular junto à cabeça, por exemplo, pode provocar danos – reversíveis ou não - no tecido do cérebro, que é sensível. O pior cenário é de um tumor maligno. Muitos desses tumores têm sido confirmados por estudos epidemiológicos.”

Os dois especialistas lembram que, em 2011, a OMS classificou essas radiações como possivelmente cancerígenas, recomendando que, enquanto não houvesse resultados mais definitivos ou convincentes, fossem reduzidas tanto quanto possível a exposição a essas ondas.

Tecido infantil é mais propenso à absorção de ondas

Quanto às crianças, os pesquisadores concordam que elas possam ser mais prejudicadas. “Os tecidos das crianças têm uma maior quantidade de um determinado líquido salino que concentra mais a energia magnética e a dissipa mais também. O osso do crânio da criança também tem características que permitem uma maior absorção das ondas pelo cérebro. Além disso, a reprodução dos tecidos nas crianças é muito rápida”, diz Salles, acrescentando ainda o fato de hoje em dia o uso de aparelhos por crianças ser muito maior e frequente.

O professor Fernandez recomenda o menor tempo de exposição possível - mantendo o aparelho desligado por mais tempo ou em modo avião, no caso de celulares - e com mais distância física entre o aparelho e o corpo. “Por exemplo, não usar um tablete ou um notebook diretamente sobre o colo, usar um travesseiro, qualquer coisa que possa diminuir a exposição”, diz o engenheiro.

"Medições para certificações usam padrões irreais"

Normalmente, em alguns países, os fabricantes declaram a taxa de radiação que os aparelhos emitem, lembra Fernandez. “Ou são empresas estatais ou empresas especializadas de medição que assinam os certificados, em condições irreais. Alguns testes podem fazer medições usando como padrão 2cm de distância, enquanto que, na realidade, usamos os telefones comprimidos à orelha”, diz.

Outros conselhos dos especialistas são: usar mais textos, fone e viva-voz, além de não estender muito as conversas pelo celular.

 

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