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Meio Ambiente

Após derrota, Brasil tem 2 anos para impulsionar Santuário das Baleias

Áudio 05:39
A baleia jubarte também é conhecida como baleia-corcunda ou baleia-cantora.
A baleia jubarte também é conhecida como baleia-corcunda ou baleia-cantora. wikimédia

Nesta semana, mais uma vez, os países que praticam a caça de baleias conseguiram barrar a criação de um santuário de preservação do animal no Atlântico Sul. A proposta é encabeçada desde 2001 por Brasil, Argentina, Uruguai, Gabão e África do Sul. Nesta reunião da Comissão Internacional da Baleia, realizada na Eslovênia, Brasília conseguiu que o próximo encontro aconteça no país, em 2018 – a diplomacia brasileira terá dois anos para garantir uma vitória dentro de casa.

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O resultado da votação desta terça-feira não foi exatamente uma surpresa para o Brasil. Nas últimas semanas, era clara a movimentação dos países contrários à proposta, encabeçados por Japão e Noruega.

“Será necessário muito trabalho, mas não diria que há um longo caminho pela frente. O Brasil não medirá esforços para estabelecer um diálogo com todos os países, durante os próximos dois anos, para alcançar o resultado desejado”, afirma o embaixador Hermano Ribeiro, que representou o governo brasileiro.

A proposta de santuário obteve 38 votos, nove a menos do necessário para atingir os 75% mínimos da plenária para aprovar o projeto. A postura contrária de países como Surinami, Tanzânia e Costa do Marfim, que mantêm excelentes relações com o Brasil, foi encarada como uma facada pelas costas. Da mesma forma, a abstenção de Portugal, Peru e Equador decepcionou.

Garantir apoios latinos e africanos

José Truda Palazzo Jr., um dos mais antigos e respeitados defensores das baleias do país, afirma que uma mudança de postura dos países caçadores é improvável, mas não impossível. Porém, para ele, a chave será garantir um apoio firme dos parceiros latino-americanos e africanos, com os quais o Brasil tem importantes contratos de investimentos e financiamento em outras áreas.

“O que eu acho mais importante é que, em nível de ministros de Estado, os nossos países trabalhem com grandes parceiros comerciais e geopolíticos, através das nossas relações na América Latina e na África, para que nós consigamos o santuário em 2018 sem depender da boa vontade dos países baleeiros”, ressalta. “Nós precisamos garantir que todos os países que se alinham com a proposta do santuário estejam presentes e com capacidade de votação. Nós temos dois anos para realizar esse trabalho – cabe agora à nossa diplomacia, respeitada no mundo inteiro, dar a devida prioridade para esse tema.”

 

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, discursou nesta segunda-feira (24/10) na 66ª Reunião da da Comissão Internacional da Baleia (CIB)
O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, discursou nesta segunda-feira (24/10) na 66ª Reunião da da Comissão Internacional da Baleia (CIB) @SanteBelgique

Truda participa da Comissão Internacional das Baleias há 34 anos e, em 2001, coordenou a redação da proposta de santuário. Ele observa que, ao recusar o projeto, os países desenvolvidos que praticam a caça de baleias, golfinhos e tubarões querem garantir o direito de manter a prática, inclusive a milhares de quilômetros dos seus territórios.

“Essa é uma contradição que foi apontada aqui, durante os debates na comissão. A delegação de Mônaco levantou essa questão”, indica Truda, presente na Eslovênia. “Na realidade, o que acontece é que esses países não querem abrir mão sequer de um milímetro do que consideram o seu direito de acesso à biodiversidade marinha e comercializá-la nos seus países, mesmo que seja em bacias oceânicas distantes.”

“Uso” sustentável das baleias

O santuário prevê uma área de preservação de 20 milhões de quilômetros quadrados, para espécies de baleias ameaçadas de extinção. Além disso, o projeto visa avançar nas pesquisas não letais dos animais e promover o turismo de observação, para gerar emprego e renda pela conservação das baleias.

“Continuaremos, junto com os países copatrocinadores, trabalhando para que a aprovação do santuário aconteça e que possamos passar para um outro nível de discussão, no âmbito da comissão: uma agenda positiva”, destaca o embaixador Ribeiro. “Assim, a comissão estará mais alinhada com o que se discute em outros fóruns internacionais sobre a conservação da biodiversidade e a saúde dos oceanos, além das decisões da Rio + 20 e a COP21.”

A expectativa é de que a realização das Olimpíadas de 2020 no Japão aumente a pressão internacional para Tóquio ao menos reduzir a caça das baleias. O país afirma capturar pelo menos 330 animais por ano.
 

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