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Ciência e Tecnologia

Brasil tem posição geoestratégica para web mundial, diz fundador de Fórum de Segurança Cibernética

Áudio 05:03
A 12ª edição do Fórum Internacional da Segurança Cibernética, acontece terça (22/01) e quarta-feira (23/01) em Lille, no norte da França.
A 12ª edição do Fórum Internacional da Segurança Cibernética, acontece terça (22/01) e quarta-feira (23/01) em Lille, no norte da França. facebook.com/forumcybersecurite

Para o general francês Watin-Augouard, mudança de governo com eleição de Bolsonaro não deve afetar cooperação entre os dois países

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Diante de modelos algorítmicos cada vez mais sofisticados, capazes de capturar e estocar informações, a proteção de dados tornou-se uma preocupação essencial para os europeus.

Os países do continente, além de serem alvo do terrorismo internacional, vêem com preocupação a onda conservadora que levou ao poder Donald Trump, nos Estados Unidos, e mais recentemente Bolsonaro. Em ambos os casos, a manipulação em massa de dados foi apontada como a principal razão de duas vitórias consideradas improváveis há alguns anos.

Essas questões estão no centro dos debates que acontecerão na décima-segunda edição do Fórum Internacional da Segurança Cibernética, que acontece nesta terça (22) e quarta-feira (23) em Lille, no norte da França.

A colaboração com outros países, como o Brasil, também é uma das temáticas do encontro, explicou em entrevista à RFI o general Watin-Augouard, fundador do Fórum. A meta é criar alternativas ao monopólio do mercado tecnológico criado pela China e Estados Unidos, que acabam beneficiando de mais acesso aos dados, a moeda do século 21.

“Se a Europa não propuser uma terceira via, amanhã estaremos no meio dois polos fortes, que são os Estados Unidos e a China. Evitar esse cenario interessa o resto do mundo. E o resto do mundo talvez deva imaginar uma estratégia de independência ou pelo menos de mais soberania”, avalia o general francês.

Os cabos submarinos transportam as fibras ótica que conectam a rede mundial e ilustram essa situação. Essa parafernália invisível é responsável por 99% do tráfico mundial de dados. A construção dos cabos teve grande investimento dos GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft), que patrocinaram uma grande parte da estrutura que liga os EUA à Europa. Neste contexto, observa Watin-Augouard, a posição do Brasil é geoestratégica.

Général Watin-Augouard
Général Watin-Augouard Arquivo Pessoal

“O Brasil tem um papel importante. Quando olhamos o mapa dos cabos submarinos, notamos que vários deles saem do Brasil e vão para o continente africano. Trata-se de um circuito mais independente, “alternativo”, sem estar mais sistematicamente ligado ao circuito americano, construído no início da internet”, ressalta o general.

Cooperação com Brasil sempre foi forte

Para ele, apesar da preferência declarada de Bolsonaro pelos Estados Unidos, a França e o Brasil devem continuar sua política de cooperação. “O governo francês deve continuar a agir com o governo brasileiro, que para a França é um parceiro essencial. Somos vizinhos na Guiana francesa, e mesmo que não estejamos próximos nas metrópoles, temos essa proximidade ultramarina”, ressalta.

“Os brasileiros fizeram sua escolha e a França vai continuar a agir como sempre fez com o Brasil, mantendo as relações diplomáticas, econômicas e culturais que sempre foram fortes entre os dois países. Não ha razão para que isso mude.”

Aplicação do regulamento Europeu de Proteção de Dados é prioridade

O Forum também se interessa à maneira como a Europa pode exercer mais liderança na proteção dos dados. Isso passa pelo respeito ao Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, adotada em maio de 2018, aplicada a indivíduos e empresas, que limita a coleta de informações.

O recado é claro: se companhias estrangeiras quiserem continuar a fazer negócio com o continente, deverão, no mínimo, assegurar uma proteção adequada às informações que circulam na web, principalmente nas redes sociais, como prevê a diretiva.

Existe também a preocupação em prevenir a manipulação em massa de dados que possam influenciar diretamente as democracias, como ocorreu na eleição de Trump, nos EUA, e de Bolsonaro, no Brasil. Sabe-se que, nos dois casos, Facebook e WhatsApp tiveram um papel essencial no convencimento dos eleitores.

O governo francês foi o primeiro da Europa a legiferar a respeito, adotando uma lei em 22 de dezembro de 2018 que luta contra a manipulação da informação no período eleitoral. A partir de agora, três meses antes do pleito, plataformas como o Facebook serão “monitoradas” para garantir a transparência do processo. As redes poderão ter que explicar, de maneira clara, o funcionamento de seus algoritmos e a classificação de conteúdos que podem ter influência direta na opinião dos eleitores.

“Em relação às redes sociais, na França há o desejo de cooperar e dialogar, mas ao mesmo tempo lembrar, mesmo em termos penais, que as regras devem ser respeitadas, principalmente no período eleitoral”, explica o general. A grande dificuldade é identificar as fake news rapidamente para impedir sua propagação. As eleições europeias, de 23 a 26 de maio, lembra, serão o primeiro teste para avaliar a eficácia dessa regulamentação.

Concepção das ferramentas

Outro tema do encontro é a integração da proteção dos dados desde a concepção dos sistemas utilizados nos dispositivos, sejam smartphones ou objetos conectados. Há reatividade na gestão de incidentes, mas a ideia é evitar que eles ocorram, ressalta Watin-Augouard. “Os dados pessoais são uma das grandes questões do mundo hiperconectado, que gera uma coleta de estocagem e transferência de dados que são extremamente sensíveis”, conclui o general francês.

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