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Saúde

Pesquisador francês cria teste que prevê recaídas e sobrevida de pacientes com câncer do cólon

Áudio 04:46
Jérôme Galon, finalista do prêmio do "Prêmio do Inventor Europeu", organizado pelo Escritorio Europeu de Patentes
Jérôme Galon, finalista do prêmio do "Prêmio do Inventor Europeu", organizado pelo Escritorio Europeu de Patentes (Foto: Divulgação/EPO)

O Immunoscore, desenvolvido pelo imunologista Jérôme Galon, é eficaz para identificar riscos de metástases após a cirurgia, mas também indica se um tratamento pode funcionar ou não no combate à doença.

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A invenção do cientista francês foi apresentada durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, nos Estados Unidos. O encontro, que aconteceu entre os dias 31 de maio e 4 de junho, trouxe as últimas descobertas nos tratamentos contra o câncer.

O teste Immunoscore® foi uma das novidades deste ano e seu uso já foi aprovado na Europa e nos Estados Unidos. Em breve, ele poderá chegar à América Latina e outros países, embora já exista a possibilidade de enviar amostras para análise aos estabelecimentos americanos.

Resultado de quase 15 anos de pesquisas, o teste consegue prever o sucesso de uma quimioterapia e sua duração – três ou seis meses por exemplo. A nova ferramenta se baseia na medida da reação imunológica de pacientes com câncer. Para isso, um aparelho ultrassom sofisticado digitaliza as imagens de duas amostras extras do tumor recolhidas durante a cirurgia para realizar a biópsia.

Em seguida, as lâminas são escaneadas e um programa de computador conta o número de células citotóxicas T, responsáveis pela destruição das células cancerígenas. Quanto maior o número dessas células T, maiores são as chances de sobrevivência do paciente.

O programa calcula uma probabilidade baseada na quantidade de células positivas encontradas no tumor. Pela primeira vez na história do combate à doença, os oncologistas podem ter uma ideia exata da gravidade do câncer, do risco de recidiva e morte nas diferentes etapas do tratamento.

O uso do Immunoscore, por enquanto, foi aprovado especificamente para os tumores malignos colorretais – a precisão do teste é de 95% para medir a probabilidade de sobrevivência. Ele também reduz o uso de medicação extremamente tóxica para pacientes com baixo risco, os preservando de diversos efeitos colaterais, como náuseas, vômitos, dores, perda de cabelo, cansaço e mal-estar generalizado.

Em entrevista à RFI Brasil, o pesquisador francês contou que, quando iniciou seus estudos, existia pouco interesse em relação à imunologia do câncer. “Mostramos desde 2005 o papel essencial do sistema imunológico na doença”, diz. “Demonstramos, pela primeira vez, sobretudo em nosso artigo publicado na revista Science, em 2010, que a progressão de um câncer, as invasões e a metástase dependem das reações imunitárias, especialmente dos linfócitos T, ou linfócitos T citotóxicos, presentes em locais específicos dentro do tumor”, completou.

No ano passado, a revista The Lancet, uma referência no meio médico, publicou um artigo considerado como a validação internacional do Immunoscore, que hoje tem o consenso de toda a comunidade cientifica e é superior a todos os testes atualmente disponíveis. Os estudos internacionais que levaram a essa conclusão envolveram mais de 2.500 pacientes.

“É uma outra visão do câncer", explica o pesquisador francês. Hoje, os testes disponíveis nas clínicas medemas  células tumorais. Esta é a primeira vez que temos uma ferramenta que não mede as células tumorais, mas o sistema imunológico do paciente e sua resposta imunitária capaz de combater essas células”, reitera.

Para viabilizar sua invenção no mercado, o pesquisador francês fundou a empresa HalioDx, em 2014. A companhia obteve financiamento e criou parcerias com diversos distribuidores de produtos médicos para poder em breve disponibilizar e distribuir a invenção para pacientes em todo o mundo.

O feito do especialista francês, diretor de pesquisa do Inserm (Instituto de Pesquisas Médicas da França) também rendeu uma indicação do prêmio “Invento Europeu 2019”, um dos mais importantes do continente. O cientista foi indicado como um dos três finalistas da premiação, que acontece nesta terça-feira (18).

Predição de outros cânceres

Durante os estudos coordenados por Jérome Galon e no processo de validação internacional, o Immunoscore foi testado no câncer colorretal. O cientista explica que sua equipe estuda agora seu uso em outros tipos de tumores, já que todos contêm as células T citotóxicas.

“O teste pode provavelmente ser aplicado em vários tipos de câncer. Ainda não há nada publicado a respeito, os estudos estão sendo feitos, mas achamos que ele pode ser proposto em outros tipos de câncer”, conclui. Uma nova esperança para o tratamento dessa doença que, em 2018,  matou cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo.

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