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50 anos na lua

Após a Lua, por que ainda é tão difícil ir a Marte?

Depois da lua, a próxima etapa é Marte
Depois da lua, a próxima etapa é Marte Nasa Giss

Imediatamente após a chegada à Lua, a obsessão espacial do homem é chegar alguns milhões de quilômetros mais longe, em Marte. Mas, por mais que essa ambição esteja na retórica de líderes mundiais, em especial do americano Donald Trump, o sonho de pisar no planeta vermelho ainda está longe de se concretizar.

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A principal barreira é financeira. Só para retornar à lua em 2024, a missão Artemis da Nasa vai precisar pelo menos US$ 20 bilhões a mais no seu orçamento, que já é de colossais US$ 21,5 bilhões. As distâncias dão ideia dos custos para ir além: chega-se à Lua em três dias – mas são necessários seis meses para atingir Marte, que pode estar de 55 a 401 milhões de quilômetros de distância da Terra.

Nos anos 2000, nove missões espaciais inabitadas foram enviadas a Marte pelos Estados Unidos, a União Europeia e a Índia. Os americanos são, incontestavelmente, os maiores entusiastas do projeto, há 40 anos. Diversos programas espaciais foram lançados para chegar a Marte – até que Barack Obama reconheceu, em 2010, que não era mais possível gastar tanto dinheiro com isso e era preciso “pensar melhor” no objetivo Marte.

A Lua em números
A Lua em números RFI

Os obstáculos técnicos também são cruciais. Enquanto, para ir à Lua, os especialistas já conseguem garantir um nível incomparavelmente maior de segurança para a missão, o mesmo não se pode dizer de Marte. “Tem ainda mais problemas para resolver do que havia para a Lua, 50 anos atrás”, avalia a astronauta francesa Claudie Haigneré, a primeira europeia a ir para o espaço, em entrevista à RFI.

Efeitos no homem e barreiras tecnológicas

Tantos anos depois, a exposição às radiações, as consequências na mente e no humanos de uma viagem prevista para levar no mínimo dois anos, o desenvolvimento da nave espacial e como abastecer o veículo durante a missão, são apenas alguns dos problemas que restam sem solução. Poucos duvidam que o homem irá ao planeta um dia – mas é consenso que não se tem ideia de quando.

Essa constatação também foi possível porque uma série de ideias preconcebidas sobre o planeta puderam ser desconstruídas, ao longo das décadas. Marte não é habitado por homenzinhos verdes, o ambiente marciano é extremamente hostil e a possibilidade de poder extrair recursos de lá é mínima. No imaginário, o planeta permanece fascinante, mas se tornou um pouco menos interessante.

“Nem a Lua, e muito menos Marte: nenhum dos dois são o futuro do homem. O futuro do homem é na Terra”, resume à RFI Jean-Jacques Favier, astronauta-físico que participou de uma missão do ônibus espacial Columbia, em 1996. “Para chegar a Marte, precisaremos reaprender a fazer tecnologia. Não que a tenhamos perdido, mas talvez tenhamos deixado de lado a motivação e a dinâmica depois da missão Apollo.”

De volta à lua – desta vez, para ficar

A aterrissagem à realidade orçamentária e tecnológica gerou uma nova corrida espacial – mas, curiosamente, é pela mesma Lua de 50 anos atrás. Em busca de credibilidade antes de dar o passo mais ousado, nos últimos anos, o foco das agências espaciais se redirecionou ao satélite natural da Terra, onde o homem não pisa há 47 anos.

 

Missão Apollo 11
Missão Apollo 11 RFI

 

A meta agora é conseguir se instalar naquele que é o maior satélite do sistema solar, com infraestruturas capazes de viabilizar uma permanência mais duradora do que apenas algumas horas. “Depois dessa etapa de instalação, poderemos passar ao passo seguinte da experiência Lua”, explica Claudie, que atualmente está na Agência Espacial Europeia, outra candidata a voltar ao satélite. Já os chineses almejam instalar uma base científica na superfície lunar até 2030.

“A China segue uma lógica diferente dos americanos, de colaboração e coordenação com outras agências internacionais. O problema é que ninguém quer trabalhar com os chineses”, afirma a geógrafa Isabelle Sourbès-Verger, especialista em políticas espaciais e diretora de pesquisas do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França). Ela explica que os Estados Unidos proíbem qualquer parceria de alta tecnologia com Pequim em nome da segurança de informações sigilosas nacionais – e essa barreira acaba se estendendo a todos os demais países que trabalham com os americanos.

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