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Saúde

Oftalmologista fala sobre risco de uso excessivo de telas

Áudio 05:15
O abuso do uso do celular é responsável por vários problemas de visão
O abuso do uso do celular é responsável por vários problemas de visão MNHN/F-G Grandin

Em entrevista à RFI Brasil, a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, professora da UNICAMP (Universidade de Campinas), explica porque a exposição às telas por longos períodos é uma questão que preocupa cada vez mais os especialistas.

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Os efeitos das chamadas lâmpadas LED azuis (sigla em inglês que significa diodos emissores de luz) nos olhos vêm sendo estudados há varios anos por pesquisadores e oftalmologistas. Eles estão associados a um desenvolvimento precoce da degeneração da mácula, uma doença que, se não for tratada, pode levar à cegueira. Essa luz também está envolvida na regulação do sono e nos mecanismos de envelhecimento.

"Em todas as doenças que estão relacionadas à idade, como a depressão, o diabetes, a hipertensão e degeneração de mácula, existe um papel regulador da luz azul. Em excesso, causa riscos para a saúde e tem efeitos lesivos na retina", explica a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, representante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Por isso, os médicos preconizam, para proteger os olhos, que o uso das telas, como computadores e celulares, seja evitado antes de dormir.

Outra medida essencial, diz, é proteger as lentes dos óculos para bloquear a luz azul. "A luz azul está presente no ambiente de modo geral. Existe o efeito cumulativo e a ideia é que a pessoa se proteja da luz azul ao longo da vida. Para quem tem problemas de retina, os oftalmologistas prescrevem especificamente lentes que a bloqueiam para uso contínuo", ressalta a especialista. Ela lembra uma alternativa à LED já está sendo estudada: trata-se da chamada tecnologia OLED, um diodo orgânico emissor de luz, com a luminosidade semelhante à de uma vela, e menos nociva para os olhos.

Saúde pública

O uso excessivo da telas é um tema recorrente nos congressos de Oftalmologia, sublinha a médica brasileira. "Tivemos recentemente o Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que é anual. O próximo, em setembro do ano que vem, será em Campinas. Uma das sessões trata especificamente desses assuntos", diz. "Todos os congressos de Oftalmologia têm sempre um tema voltado para essa questão a proteção dos olhos e a exposição às telas", afirma. O tema é abordado de maneira contínua entre os profissionais, que são orientados a alertar a população nas consultas. A preconização é que o uso de eletrônicos portáteis seja limitado a, no máximo, duas horas por dia.

Fator de risco para a miopia

No caso das crianças, é importante é evitar celulares e aumentar o tempo ao ar livre. Esse hábito previne os riscos de desenvolver uma miopia que seria menos grave e precoce, por exemplo. A miopia é um defeito genético e a solução para retardar seu aparecimento é evitar fatores ambientais que favorecem o problema. "O celular emite a luz azul viva e a mantém uma distância próxima do olho. Isso aumenta excessivamente a acomodação e interfere no aumento da miopia, que aumenta mais do que deveria. São cuidados que devem ser tomados até cerca de 18 anos. Depois dessa idade, esses fatores influenciam menos na progressão", explica.

De acordo com a especialista, a luz e a acomodação alongam o olho, gerando o déficit na refração. "No Brasil, apesar de não termos estatísticas, temos notado nas consultas que temos cada vez mais míopes, por isso esses cuidados são muito importantes", frisa a oftalmologista. "Nossa intenção é que a miopia seja menor do que será se houver excesso de exposição", diz.

A oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, professora da UNICAMP (Universidade de Campinas)
A oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, professora da UNICAMP (Universidade de Campinas) (Foto: Reuters)

Oftalmologias utilizam Telemedicina no Brasil

Atualmente, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia espera introduzir, na rede pública, a consulta com o oftalmologista no atendimento primário, destaca a especialista. A ideia, diz, é realizar uma triagem no atendimento no Posto de Saúde, mas uma das dificuldades é que, devido às dimensões continentais do Brasil, algumas áreas continuam isoladas. "Estamos fazendo experiências com a telemedicina. Temos programas em Brasília e no Rio Grande do Sul, voltados para o atendimento oftalmológico primários. Em regiões menos favorecidas, temos a Telemedicina com um oftalmologista na retaguarda. Esse é um trabalho que considero importante, porque amplia o atendimento", afirma a médica.

Contrariamente aos que muitas pessoas possam imaginar, em alguns estados brasileiros é simples obter uma consulta com um Oftalmologista na rede pública. Mas, obter uma consulta no SUS, o Sistema Único de Saúde, depende de onde o paciente mora. Em áreas mais abastadas, como é o caso do estado de São Paulo, não há fila de espera, afirma a oftalmologista. "O governo paulista fez em muitas cidades pequenas, no estado todo, que têm inclusive cirurgias oftalmológicas, que não chegam no hospital. O estado de São Paulo tem uma situação muito diferenciada, o que não ocorre no restante do Brasil." O que ocorre, salienta, é que os centros universitários vão suprir as necessidades da população, por isso às vezes há saturação no atendimento – um problema que ocorre inclusive em países desenvolvidos, a França.

 

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