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A Semana na Imprensa

Carne vegetal é a nova ‘menina dos olhos’ das empresas agro-alimentares

Áudio 03:06
Produtos da marca Além da Carne, produtora de carne vegetal, em um mercado da Califórnia, em junho de 2019.
Produtos da marca Além da Carne, produtora de carne vegetal, em um mercado da Califórnia, em junho de 2019. REUTERS/Mike Blake/File Photo

Hambúrger, cachorro-quente, churrasquinho grego. Não importa a forma, desde que o conteúdo seja 100% vegetal. A revista Les Echos Wee-kend conta como tanto start-ups quanto empresas já estabelecidas no ramo agro-alimentar têm se beneficiado deste mercado em ascensão.

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Start ups com nomes insólitos como Além da Carne, Comidas Impossíveis, Movendo Montanhas, O Abatedouro Vegetal e O Açougueiro Vegetariano têm ganhado espaço neste mercado, que também inclui pesos-pesados como a Nestlé, a Tyson Foods e a brasileira JBS, a número 1 mundial no setor da carne.

O objetivo das grandes e pequenas empresas, cerca de 20 atualmente em todo o mundo, é o mesmo: fazer uma verdadeira réplica da carne animal, mas com ingredientes exclusivamente vegetais.

Segundo o chef italiano do prestigioso restaurante Vina Enoteca, em San Francisco, na Califórnia, não se trata apenas de uma moda, mas de uma “revolução alimentar”.

Os analistas da empresa JP Morgan estão de acordo. Segundo eles, o mercado de carne à base de plantas deve alcançar o nível de U$ 100 bilhões daqui a 15 anos.

O Açougueiro Vegetariano

A revista conta a história do dono da empresa holandesa O Açougueiro Vegetariano, que produz um “frango” vegetal tão perfeito que, ao ser cortado, parece mostrar a parte branca da carne e as fibras do frango. Esta “ilusão de ótica” era justamente o objetivo de Jaap Korteweg, ex-fazendeiro que decidiu criar algo que ele mesmo quisesse comer quando decidiu virar vegetariano, há dez anos.

“Era impossível parar de comer carne completamente, porque eu tinha saudade do gosto”, disse ele à reportagem. Mas o empresário estava decidido a não mais comer carne, traumatizado por um episódio de gripe suína que abalou a Holanda em 1997.

Na ocasião, ele teve de estocar milhões de cadáveres de animais em seus frigoríficos e se deu conta de como o sistema de criação de animais para a indústria alimentar tinha se tornado absurdo.

Outro destaque da revista é o caso da empresa americana Além da Carne. Criada há dez anos, ela deve fechar 2019 com um volume líquido de negócios de U$ 210 milhões, cinco vezes mais que há três anos, em 2016.

Primeira empresa do ramo a entrar para a Nasdaq, a bolsa americana de empresas de tecnologia, em maio passado, ela tem um peso de mais de U$ 6 bilhões.

Carne de laboratório

No rol de alternativas à carne, não há apenas a vegetal, mas, desde 2013, existe também a carne celular, preparada in vitro. Segundo a revista, trata-se de células coletadas por biópsia e cultivadas em laboratório. Conhecida como “clean meat”, ou carne limpa, ela é considerada tão boa para o meio ambiente quanto a sua companheira vegetal.

Este segmento, ainda marginal, faria salivar os investidores, mas a carne celular ainda é cara para ser produzida, atualmente a um custo de € 250.000.

Nada que iniba start ups americanas, holandesas e israelenses de trabalharem sobre o assunto, para tentar reduzir os custos e produzi-la em grande escala.

Se por enquanto a corrida das empresas é pela carne vegetal, estima-se que, daqui a 2030, a carne vegetal será apenas uma transição para a carne cultivada em laboratório, dizem os especialistas.

 

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