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Cultura

Representantes brasileiros em Locarno discutem futuro do cinema de autor

Áudio 06:36
O diretor Julio Bressane dirige a protagonista Josie Antello durante as filmagens de "Educação Sentimental", que concorre ao Leopardo de Ouro no festival de Locarno.
O diretor Julio Bressane dirige a protagonista Josie Antello durante as filmagens de "Educação Sentimental", que concorre ao Leopardo de Ouro no festival de Locarno. Divulgação

Há 66 anos o Festival de Cinema de Locarno, que acontece atualmente na Suíça, se orgulha de descobrir novos autores e apostar nos cineastas de amanhã. O evento privilegia obras que muitas vezes não têm espaço no circuito cinematográfico tradicional e estimula a discussão sobre maneiras alternativas de produzir cinema. Um debate que os representantes brasileiros este ano em Locarno consideram urgente para garantir o futuro do cinema de autor no país.

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O longa "Educação Sentimental", de Julio Bressane, tem estreia mundial nesta quinta-feira, 15 de agosto de 2013, e concorre ao prêmio Leopardo de Ouro.

O produtor Marcello Ludwig Maia, disse à RFI em Locarno que participar da competição garante visibilidade internacional. Ele já foi contatado por várias distribuidoras europeias interessadas em ver a obra. "Para nós isso é fundamental porque os filmes do Bressane têm muito mais espaço de exibição fora do Brasil do que no país", disse.

Depois de ter apresentado em Locarno seu primeiro filme há 45 anos, Julio Bressane volta com a história do encontro entre uma professora e um homem mais jovem. "Educação Sentimental" teve um orçamento de 200 mil reais, bastante modesto para os padrões da produção cinematográfica. O diretor disse à RFI estar habituado a trabalhar com poucos recursos, coisa que, aliás, virou uma espécie de marca registrada.

"Sempre trabalhei com pouco dinheiro e inventei uma maneira de fazer cinema com baixo orçamento", conta ele. "Dos mais de 40 longas que fiz, uma meia dúzia deles devem ter sido exibidos em público. A circulação dos meus filmes é clandestina."

Segundo Marcello Ludwig Maia, nunca houve tanto financiamento público para o cinema no Brasil, mas esse dinheiro é quase todo investido em filmes que garantam um bom rendimento nas bilheterias. E além das dificuldades para realizar um projeto, os produtores de filmes de autor muitas vezes não conseguem nem exibir as obras no país. Tanto que ele se viu obrigado a montar sua própria empresa de distribuição para contornar esse obstáculo.

"Duas distribuidoras respondem por 80% do mercado e só se interessam pelo resultado financeiro. Há pouco mais de 2.500 salas no Brasil. Se houver três blockbusters ao mesmo tempo, você não tem como lançar nada", explica o produtor. "Esse é um momento delicado, temos que pensar novos caminhos. Mas a nova geração sempre encontra uma maneira de fazer cinema."

E justamente é dessa nova geração de cineastas que vem o segundo representante brasileiro no festival. O mineiro Ricardo Alves Jr concorre ao prêmio de melhor curta-metragem com "Tremor", que terá estreia mundial nesta terça-feira em Locarno.

"Tremor acompanha um personagem em busca da esposa desaparecida. Ele vai até o IML fazer o reconhecimento de um corpo. A partir desse curta já estou desenvolvendo um projeto de longa-metragem com o mesmo personagem, dois anos após o desaparecimento da esposa", relata Alves, que vê na carreira de Julio Bressane uma inspiração para os jovens diretores.

Os vencedores do Festival de Cinema de Locarno serão anunciados no próximo sábado.

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