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Brasil/Democracia

Regina Duarte fala da importância de Roque Santeiro após a ditadura no Brasil

Regina Duarte durante entrevista na seda da Globo em Lisboa, ao lado da diretora Lúcia Abreu.
Regina Duarte durante entrevista na seda da Globo em Lisboa, ao lado da diretora Lúcia Abreu. Silvano Mendes

A atriz Regina Duarte apresenta na próxima segunda-feira (7), em Portugal, o documentário Arte de interpretar - A saga da novela Roque Santeiro, que concorre na 5a edição do FESTin - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. Em encontro com jornalistas nesta quinta-feira (3), ela comentou a importância da trama, que foi censurada em 1975, antes de sua estreia, logo após o fim da ditadura militar.

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Enviado especial a Lisboa

O alvoroço da imprensa na chegada de Regina Duarte aos escritórios da rede Globo para a entrevista coletiva nesta quinta-feira provam que a atriz, que não vinha a Lisboa há dez anos, continua fazendo parte das referências culturais dos portugueses. Dezenas de fotógrafos e cinegrafistas esperavam a atriz e as perguntas de alguns jornalistas mostravam a admiração dos lusitanos com a “namoradinha do Brasil”

Regina Duarte está em na capital portuguesa para a estreia do documentário Arte de interpretar – A saga da novela Roque Santeiro. Uma ocasião perfeita para medir a popularidade da atriz no país, já que foi nessa produção, transmitida em várias parte do mundo, inclusive em Portugal, que ela interpretou a viúva Porcina, uma de suas personagens mais marcantes.

No entanto, a história da trama global começou muito antes da divertida encarnação da protagonista por Regina Duarte, em 1985. Uma primeira versão da novela, que tinha Beth Faria como personagem principal, havia sido censurada em 1975, durante a ditadura militar. E foi somente depois da queda do regime que a projeto pode ir ao ar. Os bastidores dessa trajetória são o centro do documentário de Lúcia Abreu, que trabalhou durante três anos para reunir imagens e entrevistas com atores, diretores e membros da equipe da produção, em um quebra-cabeça que se mistura à história do Brasil.

“Foi por causa de Roque Santeiro que surgiu o primeiro movimento de greve de artistas brasileiros”, se recorda a diretora do documentário. “Eles foram em comitiva ao palácio da Alvorada para pedir liberdade para a cultura, em um movimento que durou um mês, com várias passeatas”, relembra Lúcia Abreu.

“Eu fiz parte das equipes que foram até Brasília para pedir o fim da censura da novela”, se recorda Regina Duarte, ao falar da primeira versão, impedida de ir ao ar pouco antes da estreia. “Então, quando eu fui chamada para fazer a personagem (de viúva Porcina), também havia um regozijo por poder participar de alguma coisa que até pouco tempo era injustamente proibida”, comenta a atriz, que vê sua atuação na novela também como uma forma de  prazer político.

O grande sucesso de audiência da trama se deu por sua linguagem inovadora, mas também pelo contexto do Brasil na época. “Coincidiu que o texto retratava o nosso Brasil, abordando temas que as pessoas não podiam falar por causa da ditadura. Roque Santeiro representava a liberdade”, analisa Lúcia Abreu. Já Regina Duarte lembra que o primeiro dos 232 capítulos foi ao ar cerca de dois meses após a morte de Tancredo Neves, o primeiro presidente brasileiro após o final do regime militar. “O país entrou em colapso”, se recorda a atriz. Segundo ela, após esse episódio, “o Brasil estava precisando rir, depois de muito sofrimento, e não deu outra: o país passou a rir com a gente e com Roque Santeiro”.

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