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Cultura

Charles Aznavour canta por refugiados e encanta público

Áudio 05:11
charlesaznavour.com

Charles Aznavour está de volta aos palcos parisienses, após quatro anos de “vagabundagem”, como ele mesmo diz. Aos 91 anos, o ator, cantor, compositor, embaixador, mostra um vigor em cena que surpreende e encanta o público. Ele não só canta, mas recita, brinca, dança e conta causos.

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Aznavour abre o show – são seis concertos na capital francesa em setembro – com “Les Emigrés”. A canção data de mais de 30 anos, mas não poderia ser mais atual. A letra começa com:

"Como você acha que eles vieram?
Eles vieram, de bolsos vazios e mãos vazias
Para trabalhar com a força dos braços
E desvendar um solo ingrato
Como você acha que eles ficaram?"

Entre canções novas – ele compôs mais de 1.300 – e grandes sucessos, Aznavour conversa com os espectadores como se estivesse numa sala de estar. Ele brinca com a própria idade: “91 anos quer dizer que minha vista já não é mais a mesma, a audição falha, a memória é uma catástrofe”. E aponta para um monitor virado para ele: “Por isso eu uso este aparelho, chamado de teleprompter - não sou o único que usa, mas o único a admitir em público”. Outra brincadeira vem enquanto canta “Mes Emmerdes”, uma de suas músicas mais conhecidas, quando ele finge que ele está lendo o conhecidíssimo refrão (“mes amis, mes amours, mes emmerdes”).

Parisiense por acaso

Chahnour Vaghinag Aznavourian nasceu em Paris, no dia 22 de maio de 1924, sem querer, enquanto os pais, refugiados armênios da Geórgia, esperavam um visto para os Estados Unidos. A família acabou se instalando em Paris e, estimulado pelos pais artistas, o garoto que queria ser ator e cantor já assinava Charles Aznavour com nove anos.

De figurante no cinema já em 1936, ele construiu uma longa carreira no cinema, tendo sido dirigido por grandes diretores, como François Truffaut, em “Atirem no Pianista” (1960), ou Volker Schlöndorff, em “O Tambor” (1979), de A última participação no cinema foi dublando um dos personagens da animação “Up”.

Piaf

Na música ele foi descoberto por Piaf, que o levou na troupe quando ela cantou em turnê nos Estados Unidos. A consagração veio nos anos 60. “Ele teve de trabalhar muito para conseguir a carreira de sucesso que teve internacionalmente”, conta Véronique Mortaigne, crítica musical do jornal Le Monde. Um dos empecilhos era o físico: baixinho e feio. Mas nada disso o impediu de vender mais de 180 milhões de discos em todo o mundo. “Além de ser um compositor extraordinário, ele também foi ousado, cantou temas tabus, como o homossexualismo, por exemplo”, acrescenta a jornalista.

Armênia

Grande defensor da causa armênia, vítima de genocídio em 1915, ele ganha a nacionalidade armênia em 2008 e vira embaixador do país. Aznavour vive atualmente na Suíça.

No show em Paris, Aznavour canta músicas do novo álbum “Encores” e alguns clássicos que embalam a plateia, como “Tous les visages de l’amour”, também conhecida pela versão “She”, em inglês, e “La Bohème”. Depois de Paris, Aznavour segue para a Inglaterra, Bélgica e Holanda.

 

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