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Alemanha/Cinema

Hitler renasce nas telas do cinema e faz sucesso na Alemanha

Adolf Hitler, o verdadeiro, que não inspira muitos risos
Adolf Hitler, o verdadeiro, que não inspira muitos risos

Em tempos em que a extrema direita e a xenofobia estão novamente crescendo na Alemanha por causa da crise de refugiados, um filme está dando o que falar. Uma comédia retratando o retorno de Adolf Hitler que acorda nos dias de hoje e volta à política, provoca confusão e faz surgir a pergunta: será que o ditador nazista seria, também hoje, tão popular no país quanto há 70 anos?

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Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

O filme, baseado no best-seller de Timur Vermes “Ele está de volta”, traduzido no Brasil, foi lançado na semana passada, causando, logo de cara, uma saia-justa num dos maiores jornais do país. O diário berlinense Der Tagesspiegel estampou em sua capa uma foto do ator Oliver Masucci caracterizado como o Hitler do longa, sob a frase “ele voltou”.

Embaixo da fotografia, havia uma manchete de uma ambiguidade, no mínimo, infeliz: “Crise de refugiados agora é assunto do chefe”. A frase não se relacionava ao retrato do ator, mas à notícia de que a chanceler Angela Merkel transferiu a responsabilidade sobre os migrantes do Ministério do Interior para sua alçada pessoal. O jornal acabou pedindo desculpas aos leitores pela capa, depois de uma avalanche de protestos nas redes sociais.

No entanto, talvez a figura de Hitler não seja mais tão ultrajante quanto já foi. Sintoma disso é o fato de que Masucci conta ter sido calorosamente recebido por parte da população, ao passear pelas ruas da Alemanha fantasiado de Hitler. A receptividade foi tamanha que surpreendeu o próprio ator. Isso está documentado no próprio filme, que mostra pedrestes reais e "fãs" que param para fazer selfies com o líder do Terceiro Reich nas ruas da progressista Berlim.

Pop-Fürher

Será que Adolf Hitler finalmente se converteu em fenômeno pop? Essa questão já havia sido levantada à época do lançamento do livro de Vermes, que vendeu nada menos do que 2 milhões de exemplares e foi traduzido para 41 idiomas.

O filme, desde já um sucesso de bilheteria na Alemanha, aponta para o mesmo caminho. O difícil é saber se a população alemã expurga pelo riso o passado sinistro ou se há uma certa naturalização da catástrofe. Certo é que pululam sinais de reforço da extrema-direita no país que, nas últimas décadas, foi refratário às ideias totalitárias.

Nesta semana, ativistas do movimento anti-imigração e anti-islâmico Pegida, insatisfeitos com a política do governo alemão diante da crise migratória, exibiram uma forca para Angela Merkel durante um protesto. Em janeiro deste ano, circulou pela internet uma fotografia de um dos líderes do grupo, Lutz Bachmann, usando o bigode e o cabelo característicos do Fürher. Com menos humor do que no filme, claro.

Trailer - Ele está de volta

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