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França/Música Clássica

Compositor e maestro francês Pierre Boulez morre aos 90 anos

Pierre Boulez regindo a Orquestra Filarmônica de Viena, em 16 de março de 2010.
Pierre Boulez regindo a Orquestra Filarmônica de Viena, em 16 de março de 2010. DIETER NAGL / AFP

O maestro e compositor francês Pierre Boulez morreu aos 90 anos, em Baden-Baden, Alemanha, onde morava. Ele faleceu na noite de terça-feira (5) anunciou hoje (6) sua família em um comunicado. Boulez era considerado um dos maiores compositores de música clássica contemporânea de seu tempo, embora o grande público pudesse considerar sua obra hermética.

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"Para todos os que conviveram e puderam apreciar sua energia criativa, exigência artística, disponibilidade e generosidade, a presença de Boulez continuará sendo viva e intensa", pode-se ler no texto da família, difundido pela Filarmônica de Paris, fundada por ele. O comunicado elogioso da presidência francesa resume bem a vida, a obra e o talento do regente. "Pierre Boulez fez brilhar a música francesa em todo o mundo. Como maestro e compositor, nunca deixou de refletir sobre sua época (...) e trouxe um prestígio considerável à cultura francesa", diz o texto do Palácio do Eliseu.

A herança deixada pelo músico é imensa. Ele nasceu em 26 de março de 1925 em Montbrison, no centro da França, e fez a sua formação no Conservatório de Paris. O mestre Olivier Messiaen influenciou seus primeiras composições. Em seguida, o compositor, fanático por matemática, foi iniciado por René Leibowitz à técnica dedocafônica, que trata as 12 notas da escala como equivalentes. Rapidamente, ele se impós como uma das principais figuras da vanguarda musical, ao lado de Stockhausen, Berio, Ligeti et Nono.

Entre suas obras estão as cantatas "Le visage nuptial" e "Le soleil des eaux", do início de sua carreira, as composições serializadas Polyphonie X e Structures I, Le marteau sans maître e a Terceira Sonata para Piano.

Boulez foi um compositor exigente, mas também maestro nas maiores companhias do mundo. Ele dirigiu a Orquestra de Clieveland, entre 1967 e 1972, a Sinfônica da BBC, de 1971 a 1975, e a Filarmônica da Nova York, de 1971 a 1977. Boulez regia sem a tradicional batuta, sem efeitos, com gestos límpidos e precisos, tentando respeitar ao máximo as intenções dos compositores.

Influência de Boulez na França

Pierre Boulez era também teórico, professor e dirigiu importantes instituições culturais francesas. Ele fundou nos anos 70 o IRCAM, o Instituto de Pesquisa de Coordenação Acústica ligado ao Centro Georges Pompidou de Paris, e em 1976, o "Ensemble Intercontemporain", um conjunto de 30 solistas especializado na música clássica do século 20. O regente deu aulas no Collège de France. Multidisciplinar, ele fazia conexões entre pintura, poesia, arquitetura, cinema e música.

Irritado com o conservadorismo do mundo musical francês, Pierre Boulez se exilou em Baden-Baden nos anos 1960, mas não deixou de participar dos grandes projetos nacionais. Recentemente, investiu todo seu prestígio para convencer as autoridades a construir a Filarmônica de Paris, que teve tempo de ver inaugurada em janeiro do ano passado.

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