Acessar o conteúdo principal

Brasileiro é finalista na competição oficial do Festival de Angoulême

Marcello Quintanilha concorre com Tungstênio, publicado na França em 2015.
Marcello Quintanilha concorre com Tungstênio, publicado na França em 2015. Silvano Mendes

O cartunista Marcello Quintanilha é o único brasileiro na competição oficial da 43ª edição do Festival Internacional de Histórias em Quadrinhos de Angoulême. Radicado na Espanha desde o início dos anos 2000, o carioca concorre na categoria Policial (Polar) com Tungstênio, seu segundo livro publicado na França.

Publicidade

Enviado especial a Angoulême

A presença de brasileiros é algo quase corriqueiro no Festival de Angoulême, que reúne todos os anos, durante quatro dias, cerca de 200 mil pessoas vindas do mundo todo, entre autores, editores e fãs na 9ªarte. Mas para Marcello Quintanilha, essa edição é especial. O autor, que participa pela primeira vez do evento, desembarcou na cidade do sudoeste francês com seu nome estampado na seleta lista dos finalistas para um dos prêmios na competição oficial do evento. "É o maior e mais conhecido festival de quadrinhos na Europa, então sempre foi um desejo estar presente aqui. Além disso, é inevitável imaginar que o fato de ter sido nominado traz uma cerca visibilidade para o trabalho", comenta o carioca.

Quintanilha concorre com o livro Tungstênio, publicado no Brasil em 2014 pela Editora Veneta, e que chegou às livrarias francesas em 2015, pela Editions çà et là. Para ele, o sucesso da obra no exterior tem sido uma surpresa, pois "muitas vezes se disse que os quadrinhos produzidos no Brasil poderiam ter características tão específicas que corriam o risco de serem compreendidos principalmente por quem conhece a realidade brasileira", comenta o autor. "Mas a forma como as pessoas têm se interessado pelo livro na Europa mostra esse tipo de pensamento não tem razão de ser", celebra o cartunista.

Cartunista retrata um Brasil mestiço e popular

Como em Sábado dos meus amores, seu primeiro trabalho traduzido em francês, o autor retrata um Brasil popular e mestiço. Mas em Tungstênio, ele que sempre contou histórias de jogadores de futebol, camelôs, motoristas de lotação e jovens apaixonados do subúrbio carioca, leva o leitor para Salvador, em uma trama ágil, com ares de thriller em preto e branco, em meio à policiais e traficantes.

"Não se trata de uma escolha retratar esse tipo de realidade, pois essa é a realidade que eu conheci no Brasil e na qual eu me criei", responde o autor ao ser questionado sobre o possível apelo exótico que suas histórias poderiam representar na Europa. "Eu venho de um antigo bairro operário de Niterói, então a vida que eu expresso nos quadrinhos não é apenas a que eu observo, e sim aquilo que eu sou, independentemente da minha vontade", pondera.

 

Tungstênio conta trama policial ambientada em Salvador.
Tungstênio conta trama policial ambientada em Salvador.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.