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Produção independente de quadrinhos no Brasil é destaque em Angoulême

O autor Flávio Luiz apresentou o mercado  independente da história em quadrinhos no Brasil durante o Festival de Angoulême.
O autor Flávio Luiz apresentou o mercado independente da história em quadrinhos no Brasil durante o Festival de Angoulême. Tiphaine Bittard

A programação oficial do Festival Internacional de Histórias em Quadrinhos de Angoulême deu destaque em sua 43ª edição para as produções independentes brasileiras. O tema foi apresentado pelo autor Flávio Luiz durante uma conferência no evento francês.

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Enviado especial a Angoulême

Não é apenas dos jornais e das grandes editoras que vive a indústria dos quadrinhos. Um bom exemplo pode ser visto nos corredores de Angoulême, um dos principais eventos do setor na Europa, onde vários autores e editores independentes promovem seu trabalho nas ruas e nas tendas armadas durante os quatro dias do festival na cidade do sudoeste francês .

No caso do Brasil, esse segmento está cada vez mais dinâmico, principalmente na última década, quando os custos de produção diminuíram e a internet facilitou a divulgação de nomes desconhecidos. Foi pensando nisso que o festival organizou, nesta sexta-feira (29), uma conferência intitulada "Mercado independente da história em quadrinhos no Brasil". A palestra, realizada no salão paralelo onde são negociados os direitos autorais dos livros, foi apresentada pelo autor baiano Flávio Luiz, da Papel A2 Editora, que já ganhou o troféu HQ Mix – principal prêmio brasileiro do setor –, na categoria de melhor revista independente.

Ele expôs, diante de um público de profissionais, um histórico do setor no Brasil, do clássico Carlos Zéfiro até a mais contemporânea Ana Luiza Koehler, passando por Alex Mir ou Dantas Gama. O autor também falou das especificidades do setor, e explicou, por exemplo, como as dimensões continentais do país dificultam a difusão da produção nacional.

Artistas brasileiros fazem cada vez mais sucesso no exterior

No entanto, a multiplicação de eventos ligados aos quadrinhos no Brasil ajudou muito o desenvolvimento do setor, criando vitrines regionais onde os autores podem mostrar e vender seus trabalhos. Além disso, "muitos artistas brasileiros começaram a fazer sucesso nos mercados europeu e americano", ressalta Luiz. Um bom exemplo é o do carioca Marcello Quintanilha, finalista na categoria Policial do festival de Angoulême este ano.

O baiano também lembra que iniciativas públicas, estaduais ou federais, como a Lei Rouanet, ou ainda colaborativas, como o crowdfunding, também ajudam a viabilizar projetos mais modestos, permitindo que alguns autores possam se manter com sua arte. "Existem autores brasileiros que conseguem viver de quadrinhos", celebra. E mesmo se ele próprio ainda divide seu tempo (e suas fontes de renda) entre as atividades de cartunista, desenhista e chargista, Luiz reconhece que a imagem dos profissionais da área se tornou mais valorizada. "Até pouco tempo, quando eu dizia que desenhava, as pessoas perguntavam : além disso, você trabalha com o quê ? Hoje já se sabe que desenhar é uma profissão como outra qualquer, mas com muito mais charme".

Capoeirista do pelourinho virou história em quadrinhos

No caso de Luiz, esse charme é encarnado pelo personagem Aú, um jovem capoeirista que vive nas ruas do Pelourinho, em Salvador. Criado em 1992 durante exposição de quadrinhos franco-belgas na Bahia, ele já protagonizou dois livros. O primeiro deles teve uma tiragem de nove mil exemplares, um recorde para uma publicação independente no Brasil, onde, em média, um lançamento raramente ultrapassa duas mil cópias.

 

O personagem do capoeirista Aú, criado por Flávio Luiz, é um exemplo da produção independente brasileira.
O personagem do capoeirista Aú, criado por Flávio Luiz, é um exemplo da produção independente brasileira.

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