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Alemanha/Cinema

Documentário "Fuocoammare" ganha Festival de Berlim

O diretor Gianfranco Rosi comemora a vitória do seu documentário "“Fuocoammare”
O diretor Gianfranco Rosi comemora a vitória do seu documentário "“Fuocoammare” (foto: Reuters)

O filme do diretor Gianfranco Rosi sobre a vida na ilha de Lampedusa, que levou o Urso de Ouro neste sábado (20) no Festival de Berlim, evidenciou a vontade do júri em premiar obras com temas políticos.

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Bruno Ghetti, correspondente da RFI em Berlim

O Festival de Berlim chegou ao final com uma premiação coerente com o clima do evento. Neste ano, em que os temas políticos estavam no foco, venceu um longa que mostra o drama de refugiados da África que tentam atravessar o Mediterrâneo para viver na Europa. O ganhador foi o italiano (em co-produção com a França) “Fuocoammare”, de Gianfranco Rosi, um documentário sobre a vida na ilha de Lampedusa, porção de terra que pertence à Itália, onde vários imigrantes desembarcam anualmente para escapar da miséria e de guerras em países da África.

Ao receber o Urso de Ouro, Rosi dedicou seu filme ao povo da ilha, que, segundo ele, em geral recebe os refugiados com o “coração aberto”. Ele comparou os habitantes com os pescadores locais, que aceitam com alegria o que vem do mar. Por fim, declarou apoio aos refugiados e disse ser inaceitável que pessoas morram à deriva quando apenas querem fugir de atrocidades.

Prêmio do júri vai para Death in Sarajevo

O Grande Prêmio do Júri foi para o longa “Death in Sarajevo”, dirigido pelo bósnio Danis Tanovic. A trama se passa em tempo real, em um hotel na capital da Bósnia. O roteiro se inspira em uma peça de Bernard-Henri Lévy, mas levada à tela em uma estrutura de “film d’ensemble”, com diversos personagens com a mesma importância, discutindo o significado de ser europeu no mundo de hoje.

A diretora francesa Mia Hansen-Love faturou o prêmio de melhor direção por “L’Avenir”. O filme mostra uma professora de filosofia, interpretada por Isabelle Huppert, que enfrenta uma série de perdas na vida pessoal de uma hora para outra. Ela passa a ter problemas com a editora que publica seus livros, é trocada pelo marido por uma mulher mais jovem e sofre com a mãe que tem depressão.

O melhor ator foi o tunisiano Majd Mastoura, em “Hedi”, que é seu primeiro filme. Ele interpreta um rapaz disposto a enfrentar a família tradicional em nome de uma vida mais aventureira, ao lado de quem ele ama de verdade. Em seu discurso ele louvou a revolução no país, em 2011, que foi o que possibilitou que o filme pudesse ser feito com liberdade de criação.

Trine Dryholm leva o prêmio de melhor atriz

A melhor atriz foi a dinamarquesa Trine Dryholm, por “The Commune”, de Thomas Vinterberg. Ela interpreta uma repórter de TV que tenta aceitar conviver em uma mesma casa com o marido e sua amante, mas que acaba percebendo que as coisas não são tão simples, por mais liberada que ela seja.

O longa polonês “United States of Love”, de Tomasz Wasilewski, que mostra a vida de várias mulheres na Polônia pouco após o país abandonar o socialismo e passar a viver sob regime capitalista, foi escolhido o melhor roteiro da Berlinale.

O prêmio de melhor contribuição artística foi para a direção de fotografia do chinês “Crosscurrent”, que mostra belas imagens no rio Yangtzé, na China continental. O troféu Alfred Bauer, para filmes que abrem novas perspectivas no cinema, foi para “A Lullaby to the Sorrowful Mystery”, do filipino Lav Diaz. O longa tem nada menos que oito horas de duração e mostra a revolução filipina, no século 19, em uma narrativa complexa, marcada por elementos mágicos e, ao mesmo tempo, um trabalho de reconstituição histórica.

O Brasil, que tinha seis filmes em mostras paralelas, não ganhou prêmios, mas ao menos dois tiveram muita boa recepção no festival. Um deles foi “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert, sobre um garoto que descobre que foi roubado na maternidade. O outro foi “Curumim”, de Marcos Prado, documentário sobre um dos brasileiros que foram condenados à morte na Indonésia em 2015, acusado de tráfico de drogas.
 

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