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Brasileiro Francisco Terra se inspira em lobisomem na Semana de Moda de Paris

Desfile da coleção Neith Nyer, outono-inverno 2016 na Semana de Moda de Paris.
Desfile da coleção Neith Nyer, outono-inverno 2016 na Semana de Moda de Paris. Reprodução

O estilista brasileiro Francisco Terra apresentou na segunda-feira (7) a coleção da sua marca, Neith Nyer, na Semana de Moda de Paris. O designer usou como inspiração um jogo da sua infância, no qual um lobisomem ataca um povoado.

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Na passarela, desfilaram as vítimas da fera, da camponesa à burguesa, passando pela vidente e pela bruxa. Apareceram também alguns meninos-lobos, e não faltaram uivos na trilha sonora. A modelo mais rebelde desfilou fumando.

Jeans, pele, calças de lã e sobreposições de peças lembram os anos 1980, que inspiraram esse estilista de 32 anos. As formas são arredondadas e volumosas nos ombros. Entre os acessórios mais notáveis, apareceram aros de metal prateado para todos os gêneros.

"Esta é uma coleção muito mais madura do que a anterior", disse Terra em entrevista à agência France Presse após o desfile, realizado em um estacionamento no leste da capital. "Levei muito tempo para pensar nas formas e modelagens", afirmou o estilista, que nasceu em Belo Horizonte e que já viveu em Nova York, na Suíça e em várias cidades da Ásia, além de trabalhar em Paris nos ateliês da Givenchy e da Carven.

Outros latino-americanos nas passarelas

Outros latino-americanos apresentaram suas coleções na segunda-feira no evento: o colombiano Esteban Cortázar e o chileno Octavio Pizarro. O primeiro criou uma coleção feita explicitamente sob os signos contraditórios de "liberdade e restrição".

Esse antagonismo se manifesta, por exemplo, entre uma parte superior de couro com efeito vazado que deixa entrever o corpo e uma saia que lembra vendas e "bondage".

"A oposição de ideias está presente nas relações instintivas entre forma e tecido, criando peças híbridas que mostram o imediatismo do mundo atual", diz..

Os contrastes de códigos masculino e feminino são um exercício muito praticado nessa temporada. No desfile de Cortázar, resultam em efeitos sensuais bem marcados.

Em tons de branco, marrom, verde, fúcsia e azul elétrico, a coleção tem também peças mais clássicas, como casacos com gola de pele, mas sempre com um detalhe sutil e, ao mesmo tempo, subversivo.

Chileno abusa do contraste de materiais

Já o chileno Pizarro, que mora em Paris há 20 anos, mostrou uma coleção de prêt-à-porter que prolonga a anterior de alta costura, com mais foco em materiais que vão da alpaca ao mohair.

Alguns são feitos à mão e contrastam com outros fabricados com técnicas mais recentes, com looks amplos ou mais ajustados. Há uma inspiração do "patchwork", que também contrapõe materiais nobres e sintéticos em casacos ou tecidos.

O estilista recebeu no mês passado o Grande Prêmio da Cidade de Paris por sua obra criativa e espera passar para outros níveis de desenvolvimento. "Agora é necessário que a coleção cresça, que a marca perdure, que tenhamos mais pontos de venda e um escritório central em Paris", comentou.
 

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