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Atriz Julia Bernat grita "não vai ter golpe" em festival em Paris

A atriz Julia Bernat
A atriz Julia Bernat Divulgação

Ao apresentar o filme "Aspirantes" no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, na segunda-feira (11), a atriz Julia Bernat gritou "Não vai ter golpe" e foi aplaudida pelo público presente. Ela se une assim aos artistas que já se posicionaram publicamente contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, cuja abertura do processo foi aprovada na mesma noite pela comissão especial da Câmara.

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"Acho extremamente importante que os artistas se posicionem", disse Julia à RFI após a exibição do filme, no qual interpreta a namorada grávida de um aspirante a jogador de futebol.

"Está acontecendo uma coisa bem surreal: artistas como Wagner Moura e Leticia Sabatella se colocaram e começaram a sofrer críticas caluniosas, falando que eles estavam se posicionando porque recebiam dinheiro da Lei Rouanet em troca de apoio ao governo. Isso é surreal porque quem conhece minimamente essa lei sabe que quem dá dinheiro são empresas que têm isenção fiscal, não tem nada a ver com o governo, não é o governo que escolhe."

Polêmica em espetáculo com sua mãe

Julia é filha da atriz Soraya Ravenle, que discutiu nos bastidores com Claudio Botelho, após a interrupção pela plateia do espetáculo "Chico Buarque em 90 Minutos", no mês passado, depois que o ator chamou Lula e Dilma de ladrões durante o musical.

Soraya disse, no áudio que vazou, que Botelho não poderia ter provocado a plateia daquela forma em uma semana de tamanha tensão política no país. Ao que o diretor e ator respondeu: “São neofascistas, são escrotos, são petistas, são o que há de pior no meu Brasil. Essa gente chega e peita um ator que está em cena”.

"Quando escutei o áudio, eu disse 'graças a Deus que ela agiu com amor naquela situação'", afirma Julia. "Minha mãe está contra esse ódio geral e esse radicalismo. A bandeira maior que ela levanta é 'mais amor por favor'. Ela se sentiu exposta por estar em cena e ter que viver uma situação que não pediu para viver."

"Estamos vivendo um momento muito triste"

Sobre o processo de impeachment, Julia diz que "estamos vivendo um momento muito triste, muito triste mesmo e delicado". "Há toda uma elite com o pensamento extremamente reacionário, cheia de ódio. É uma elite que não está aceitando perder certos privilégios, não aceitou perder uma eleição. O que está acontecendo é realmente um golpe. O impeachment é totalmente inconstitucional."

Para ela, a presidente "é uma das poucas pessoas do governo que não roubou". "Então é bem bizarro que o presidente da Câmara, o Eduardo Cunha, que é réu em vários processos e citado em todas as delações premiadas, esteja passando o processo de impeachment. É claramente uma manobra de direita para abafar a Lava Jato quando ela começar a chegar no PSDB e no PMDB. Eles querem abafar. O PT, pela primeira vez, deixou o judiciário trabalhar, fazer o serviço, nao é o governo mais corrupto como falam. É simplesmente o governo que deixou que as investigações surgissem."

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