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Panama Papers/Modigliani

Panama Papers desvenda mistério de quadro de Modigliani

Panama Papers esclarece dúvidas sobre "Homem Sentado com Bengala", de Amedeo Modigliani.
Panama Papers esclarece dúvidas sobre "Homem Sentado com Bengala", de Amedeo Modigliani. Amedeo Modigliani

O escândalo internacional dos Panama Papers, revelando operações offshore para desvio de fundos, acabou elucidando um mistério que pairava há anos sobre um quadro do italiano Amadeo Modigliani (1884-1920). A obra, citada nos documentos, era suspeita de ter sido leiloada sem o consentimento do dono durante a ocupação alemã na França.

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O jornal francês Le Monde, que participou do consórcio de jornalistas que denunciou o Panama Papers, foi atrás das pistas e provou que o quadro é propriedade de David Nahmad, patriarca de uma das mais ricas dinastias de marchands de arte. Judeu libanês, ele era primo do milionário brasileiro Edmond Safra, morto em um incêndio em Mônaco, em 1999.

“A família Nahmad dissimulava seus bens através de uma sociedade panamenha, a International Art Center, proprietária oficial de milhares de obras de arte, inclusive o Modigliani” em questão, explica Le Monde. A informação fez com que a justiça suíça colocasse o quadro sob sequestro.

A questão a ser elucidada era se o quadro era o mesmo “Homem Sentado com uma Bengala”, que o antiquarista britânico Oscar Stettiner tinha sido forçado a leiloar em julho de 1944, durante a ocupação. A reivindicação, antiga e agora com mais provas, é de Philippe Maestracci, neto de Stettiner.

Trajetória rocambolesca de um retrato

Um historiador de arte chegou à identidade do homem que serviu de modelo, Georges Menier, industrial francês, da quarta geração de uma família de fabricantes de chocolates finos. O quadro foi pintado em 1918 ou 1919. Em 1930, Stettiner empresta o retrato para a Bienal de Veneza, de 1930.

Há três anos Nahmad alega que o próprio Stettiner teria vendido o quadro na década de 1930. A obra de fato não aparece no catálogo de venda de 1944 e nem em uma prestação de queixa feita por Stettiner. O único dado concreto da época é a identidade do comprador, o galerista John Van der Klip, que afirmou ter revendido a tela a um americano, cujo nome ele dizia ignorar.

O quadro chegou ao milionário libanês em 1996, através de um leilão da casa Christie’s. O catálogo afirmava que o retrato fora adquirido em uma venda anônima entre 1940 e 1944, por um certo J. Livengood, e depois repassado “por herança aos atuais proprietários”. Le Monde descobriu que Livengood e Van der Klip são da mesma família.

Casa de leilões comete irregularidades

A conclusão do jornal francês é a de que, ao contrário do que afirmara no final da guerra, Van Ker Klip não havia vendido o quadro, que permaneceu na família até 1996, quando foi leiloado pela Christie’s. O jornal aponta várias irregularidades por parte da casa de leilões, que não quis se pronunciar, invocando o processo em curso em Nova York.

Para o jornal Le Monde, David Nahmad afirmou que “vai aceitar devolver o quadro diante de provas”. Richard Golub, advogado do antiquarista, declarou que o trabalho dos jornalistas do Panama Papers é “irresponsável” e se recusou a comentar o caso. A decisão deverá ficar a cargo da Corte Suprema de Nova York, explica o jornal francês, onde o caso foi aberto.
 

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