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Cultura

Festival de Perpignan expõe fotos de guerras e tragédias humanas

Áudio 06:16
Cartaz do Festival Visa pour l'Image, em Perpignan.
Cartaz do Festival Visa pour l'Image, em Perpignan. © Yannis Behrakis / Reuters

O Festival Visa Pour l’Image acontece há 28 anos em Perpignan, no sul da França, quase na fronteira com a Espanha. O evento faz uma retrospectiva fotográfica do ano que se passou, com exposições e projeções noturnas. O festival incentiva novos talentos e festeja grandes nomes, como João Silva, fotógrafo português do New York Times que perdeu ambas as pernas ao pisar numa mina no Afeganistão, em 2010. Ele volta ao evento para compartilhar suas experiências.

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Fotos de Cuba, por Marc Riboud, em Perpignan.
Fotos de Cuba, por Marc Riboud, em Perpignan. RAYMOND ROIG / AFP

Outro homenageado foi Marc Riboud, que morreu no último dia 30 de agosto, e que tinha suas fotos de Cuba, de 1963, em exposição. Durante duas semanas, antigos conventos, mosteiros, igrejas e mansões hospedam fotos que retratam o mundo.

O Brasil foi destaque em duas exposições principais. O alemão Peter Bauza fez um trabalho sobre um condomínio não terminado e abandonado na região de Campo Grande, a 60km do centro do Rio de Janeiro. Já o carioca Felipe Dana, da agência Associated Press, apresentou os primeiros casos de microcefalia no nordeste, no início das suspeitas de relação com o vírus do zika.

Peter Bauza, autor de "Copacabana Palace".
Peter Bauza, autor de "Copacabana Palace". Foto: Patricia Moribe

Prêmios incentivam novos talentos

Para promover uma profissão cada vez mais concorrida e precária, o festival distribui vários prêmios e bolsas. O grande vencedor da edição de 2016 foi o relato fotográfico do grego Aris Messinis, da AFP, sobre a chegada massiva de migrantes sírios à ilha de Lesbos em 2015.

“Desenhos de Fatima” recebeu o prêmio Visa de Ouro de informação digital, que tem parceria da RFI e que é conferido a trabalhos que utilizam novas mídias para tratar da atualidade. O projeto, do sueco Magnus Wennman, mistura animação e vídeo em que uma menina síria refugiada na Suécia relata sua difícil viagem em direção à liberdade, suas memórias do país natal e as novas experiências numa terra muito diferente.

O festival também é um encontro importante para os profissionais, que aproveitam para trocar experiências e fazer contatos com editores do mundo todo. Fotojornalistas consagrados também participam de painéis para falar de suas experiências, dar dicas.

“Tive que aprender a fazer tudo de novo”

Como o português João Silva, do New York Times, que cobriu o apartheid na África do Sul e várias guerras, até sofrer um grave acidente ao pisar em uma mina no Afeganistão em 2010, quando perdeu ambas as pernas. Ele participou de um painel onde falou sobre o que fazer “quando tudo dá errado em campo”. Ele admite que não há como se preparar para o imprevisto, mas pelo menos é possível ter uma preparação intelectual, conhecer os processos.

Depois de ferido, João Silva foi transferido para os Estados Unidos, onde passou por um longo processo de recuperação de 20 meses no hospital militar Walter Reed. “Eu tive que aprender a andar de novo, a fotografar de novo. Tudo mudou”.

Fotógrafo precisa de “bom olho e coração grande”

O festival Visa Pour l’Image, que pode ser traduzido como “visto para a imagem”, é uma criação do jornalista Jean-François Leroy. Para ele, o advento da imagem digital trouxe mudanças apenas operacionais, mas não para a foto em si: “Para mim, o mundo se divide em duas categorias: os fotógrafos bons e os ruins”.

Felipe Dana apresenta suas fotos em Perpignan.
Felipe Dana apresenta suas fotos em Perpignan. Foto: Patricia Moribe

“A morte de Marc Riboud [que morreu dia 30 de agosto, durante o festival] me fez refletir e chegar a uma conclusão, uma frase que define Marc também: ‘para ser um bom fotógrafo é preciso um bom olho e um coração grande’. Depois, o que há entre o olho e o coração - a técnica, o aparelho que utilizamos, seja película, digital ou analógico - isso não muda muita coisa, o importante é a empatia pelo tema. Se eu penso em Felipe Dana ou Peter Bauza, não me interessa que aparelho eles utilizam. O importante é o resultado. Felipe Dana me emociona. Peter Bauza me interpela”, diz Leroy.

“Quando vemos a mostra de Riboud sobre Cuba [fotos de 1963, com Fidel, na noite anterior à morte de Kennedy] e vemos a modernidade dessas imagens, feitas em 1963, temos ali o olho e o coração, elas não envelheceram em nada”, finaliza o presidente do festival.

Exposição na Igreja dos Dominicanos, em Perpignan.
Exposição na Igreja dos Dominicanos, em Perpignan. Foto: Patricia Moribe

 

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