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Julia Murat, cineasta: "O amor está sempre buscando um equilíbrio"

Áudio 06:57
A cineasta brasileira Julia Murat, premiada pela crítica mundial com "Pendular", na mostra Panorama da Berlinale 2017
A cineasta brasileira Julia Murat, premiada pela crítica mundial com "Pendular", na mostra Panorama da Berlinale 2017 berlinale.de

Dos 12 filmes brasileiros selecionados no Festival de Cinema de Berlim deste ano (9 a 18 de fevereiro), "Pendular", da diretora carioca Julia Murat, foi o único laureado; Apresentado na mostra Panorama, o filme recebeu o prêmio da Federação da crítica internacional.

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Este segundo longa de Julia, depois de "Histórias que só existem quando lembradas", mostra um casal que mora num galpão industrial e decide determinar o espaço de cada um com uma fita adesiva; de um lado, ela, bailarina, do outro, ele, escultor - uma história que fala de amor e espaço, explorando a fronteira que o casal tenta definir de forma precisa. A cineasta fala sobre a mensagem do filme: "Acho que é essencialmente a tentativa no amor de estar procurando um equilíbrio, uma igualdade, e a nossa incapacidade de ter essa igualdade, seja porque somos homens e mulheres, seja porque somos pessoas se relacionando, a gente está o tempo todo estabelecendo fronteiras de 50% e, na verdade, os 50% não existem. A gente tem que lidar com nossas diferenças e com o fato de que às vezes uma pessoa necessita de mais espaço do que outra", diz a diretora.

Com dois atores em cena, a dinâmica do movimento das cenas passeia entre dança, performance e teatro, proposta que encantou o júri em Berlim. "Meu trabalho com os atores foi muito cuidadoso; o trabalho com Raquel Karro, a atriz principal, durou quase um ano, entre ela começar a se preparar do ponto de vista físico, ela tinha acabado de ter um filho, então, voltou para as aulas de dança, a gente fez também uma pesquisa de coreografia durante dois meses com ela e o outro ator, e a Flavia Meirelles, a coreógrafa. Em seguida, ensaiamos, foi um trabalho muito cuidadoso, sempre tentando trazer o corpo deles e a história deles para dentro do filme", explica Julia, especificando que o roteiro foi escrito com eles [os atores] e a partir deles.

Receptividade na Berlinale

Sobre a reação da plateia do festival ao filme, Julia reflete que é sempre difícil saber exatamente o que o público sentiu. "É assim em qualquer festival, mas tem uma coisa bonita que eu senti em alguns "q & a" (perguntas e respostas entre cineastas e público depois da projeção do filme) e em algumas entrevistas, que é como as pessoas se relacionaram com o fato de serem dois artistas ali, de verdade, sem romantismo, se colocando, mostrando que estavam ali trabalhando mais do que qualquer coisa, não foi uma inspiração que veio do nada, a gente estava se dedicando e isso está na tela, eu acho".

Ouça a entrevista completa clicando acima em Ouvir.

 

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