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Música

Canções de Portugal e Itália são as favoritas da final do concurso Eurovision

O cantor português Salvador Sobral
O cantor português Salvador Sobral Reuters

“Se um dia alguém perguntar por mim/Diz que vivi para te amar/Antes de ti, só existi/Cansado e sem nada para dar”. Esses versos românticos são da canção "Amar Pelos Dois", com singelo arranjo jazzístico de cordas e piano, do cantor português Salvador Sobral, 27 anos.

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Ela é uma das favoritas da final do Eurovision, o concurso europeu da canção, que acontece na noite deste sábado (13) em Kiev, capital da Ucrânia. O jeito tímido e um tanto desengonçado do cantor, sua bela voz e seu estilo “vagabond-chic” conquistaram o público

Seu principal concorrente, segundo as bolsas de apostas, é o italiano Francesco Gabbani, com sua voz rouca e bigode de “latin lover”. Ele canta, em italiano, "Occidentali's Karma", ao lado de um dançarino vestido de gorila. A coreografia simples, o carisma do artista e o pop grudento garantiram a preferência do rapaz de 34 anos de Carrara (Toscana).

A canção vencedora é escolhida pelos telespectadores, que votam pelo telefone, e por um júri de cada país participante. As dez mais votadas pelos especialistas recebem, em ordem ascendente de preferência, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10 e 12 pontos. Depois são contabilizados os votos do público, também transformados em pontos. As pessoas não podem votar na música do país onde vivem. Das 42 concorrentes, 26 chegaram à final.

Francesco Gabbani: dancinha com gorila
Francesco Gabbani: dancinha com gorila Reuters

Portugal nunca venceu o Eurovision, concurso criado em 1956 em plena Guerra Fria, para fomentar a unidade da Europa. A primeira edição aconteceu em Lugano, na Suíça.

O cantor português é o único participante desta 62° edição do concurso a cantar inteiramente em sua língua materna e já se tornou um verdadeiro fenômeno. É a primeira vez em 7 anos que Portugal chega à final. Sua apresentação na semifinal é a mais vista no YouTube, com cerca de 820 mil visualizações.

Doença cardíaca

Salvador revelou recentemente que sofre de uma grave doença cardíaca, que exige que ele tenha que realizar em breve um transplante de coração. O cantor, que não gosta de falar do problema, disse que o palco é o seu refúgio para esquecer a doença. Por causa dela foi obrigado a deixar de fumar e vive com dores permanentes.

O cantor chamou a atenção pela primeira vez na coletiva de imprensa do Eurovision, quando chegou vestindo uma camiseta com a inscrição "SOS Refugees" (SOS Refugiados). Ele aproveitou para compartilhar o seu engajamento pela causa: “As pessoas que buscam ajuda na Europa não são apenas migrantes, são refugiados”.

Ele também conquistou o público com seu jeito engraçado. Cada vez que era focalizado pela câmera, na noite da semifinal do Eurovision, ele fazia divertidas caretas ao lado da sua irmã.

Estudos em Barcelona

O lisboeta Salvador contou, em entrevistas, que seu contato com a música começou na infância, quando gostava de cantar nas viagens de carro da família. Aos 10 anos, ele participou no concurso musical “Bravo, Bravíssimo”, do canal português SIC.

Salvador com a irmã Luísa: caretas para a câmera
Salvador com a irmã Luísa: caretas para a câmera Reuters

Em 2009, ele disputou a terceira edição do programa "Ídolos", da qual foi finalista. Depois, começou a estudar psicologia e passou um ano em Mallorca, na Espanha, como parte do programa de intercâmbio universitário Erasmus. Lá começou a cantar em bares. De volta à Lisboa, decidiu abandonar a universidade e se mudar para Barcelona.

Na capital catalã, estudou música na na prestigiosa escola Taller de Músics e, no início de 2014, colaborou com a banda de pop-indie Noko Woi, formada por venezuelanos radicados em Barcelona, com a qual se apresentou no famoso festival Sónar. Em 2015 foi incluído na programação dos eventos Vodafone Mexefest e EDP Cool Jazz.

Em março de 2016, lançou seu disco de estreia, "Excuse Me", com coprodução musical do pianista Júlio Resende, do venezuelano Leonardo Aldrey e do próprio Salvador Sobral, que é fã de Chet Baker. Em 2017, ele foi o vencedor do Festival RTP da Canção 2017, que garantiu a sua vaga no Eurovision.

 

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