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Israel/palestina

Livro de escritores ilustres marca 50 anos da ocupação dos territórios palestinos por Israel

Os editores de "Reino de Azeitonas e Cinzas", o casal Michael Chabon e Ayelet Waldman.
Os editores de "Reino de Azeitonas e Cinzas", o casal Michael Chabon e Ayelet Waldman. MENAHEM KAHANA / AFP

Para marcar os 50 anos da ocupação dos territórios palestinos por Israel, foi lançada uma antologia de textos de escritores mundialmente conhecidos, incluindo o peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura. Os fundos arrecadados serão revertidos para uma das ONGs mais detestadas pelo governo de direita de Benjamin Netanyahu, a Breaking the Silence.

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“Kingdom of Olives and Ash” (“Reino de Azeitonas e Cinzas”, em tradução livre) reúne 26 autores. Além de Vargas Llosa, há também três prêmios Pulitzer, como Geraldine Brooks, e escritores como o americano Dave Eggers, o irlandês Colm Toibin e a francesa Maylis de Kerangal. As contribuições vieram em inglês, árabe, hebreu, francês, espanhol e italiano. A primeira edição foi lançada em inglês e em hebreu. Uma versão em francês sairá em breve.

Para sacudir a indiferença

Os editores, o casal Michael Chabon e Ayelet Waldman – ele americano e ela, israelo-americana -, ambos judeus, pretendem sacudir através da literatura a indiferença generalizada em torno desse conflito de meio século e expor as consequências concretas e diretas da ocupação sobre israelenses e palestinos.

“Queríamos um meio de chamar a atenção das pessoas, pelo menos de uma parte delas”, disse Chabon à AFP, em Jerusalém, no domingo (18), dia do lançamento do livro. Com a ajuda de celebridades literárias, o casal queria que os leitores “mordessem a isca de textos notáveis”, confiou o editor, ele próprio um prêmio Pulitzer.

A obra é publicada meio século após a Guerra dos Seis Dias, que marcou o início da ocupação dos territórios palestinos pelo Estado hebreu. Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade santa, foi anexada por Israel naquele momento, mesmo sem o reconhecimento da ONU. A Cisjordânia continua também ocupada pelo exército israelense e dois milhões de palestinos vivem cercados na Faixa de Gaza, submetidos a um rigoroso bloqueio. A violência é contínua e as perspectivas de uma resolução do conflito, assim como o fim da ocupação, nunca pareceram tão distantes.

Prisão a céu aberto

O capítulo escrito por Michel Chabon, por exemplo, fala sobre o caráter arbitrário da ocupação israelense na Cisjordânia, que submete os palestinos à pesada burocracia ou à boa vontade de um soldado ou de um oficial israelense.

O romancista Dave Eggers esteve em Gaza para testemunhar sobre como vivem os palestinos nesse enclave frequentemente chamado de “a maior prisão do mundo a céu aberto”. O autor relata a frustração dos habitantes diante da reclusão e das restrições impostas pelo movimento islâmico Hamas, que governa Gaza.

A ONG Breaking the Silence (“quebrando o silêncio”), que vai receber as arrecadações com as vendas, oferece uma plataforma anônima para que soldados israelenses deixem seus testemunhos sobre as atrocidades cometidas pelo exército nos territórios palestinos ocupados. Uma grande parte da direita israelense acusa a Breaking the Silence de trair a causa de Israel.

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