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Mulheres buscam reconciliação com o passado em "road movie" amazônico

Áudio 07:37
A cineasta Jorane Castro no estúdio da RFI
A cineasta Jorane Castro no estúdio da RFI Augusto Pinheiro/RFI

A diretora paraense Jorane Castro apresenta nesta quinta (22) e sexta-feira (23) no Festival de Cinema Brasileiro de Paris seu filme “Para Ter Onde Ir”, traduzido para o francês como “Pour Avoir Où Aller”, que chega às salas do Brasil em setembro.

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A produção, que estreou no Festival do Rio e levou quatro prêmios no Festival Guarnicê (São Luís), é um "road movie" amazônico. Três amigas partem em uma viagem de carro de Belém ao balneário de Salinas, na costa atlântica paraense, em busca de reconciliação com o passado.

“É um filme de estrada em uma região que foi muito pouco filmada. Nunca vi um filme realizado em Salinas, nessa região da Amazônia atlântica, com suas praias de mar, que é uma outra geografia, que a gente não costuma ver quando se retrata a região”, diz Jorane.

A cineasta afirma que, “dentro desse universo visual, o filme trata do feminino". “São três mulheres, cada uma com uma visão bem diferente sobre o que é o amor, a vida. E elas vão se confrontando, e essa confrontação é muito interessante.”

O filme tem enquadramentos de grande beleza, que parecem verdadeiras pinturas, muitas vezes usando a exuberante vegetação amazônica como moldura.

“Foi uma intenção. A gente pesquisou muito. Por exemplo, nós escolhemos filmar no inverno por causa da luz. No verão, ela é vibrante, calorosa, colorida. Já no inverno ela é difusa, branca, sem contraste. A ideia era, com a imagem, mostrar outros lugares, mais do imaginário, mais cinematográficos. São lugares não-convencionais da região.”

As atrizes Keila Gentil, Ane Oliveira e Lorena Lobato em cena do filme
As atrizes Keila Gentil, Ane Oliveira e Lorena Lobato em cena do filme Divulgação

As três atrizes principais, Lorena Lobato, Keila Gentil e Ane Oliveira, têm uma interpretação naturalista. “Das três, a única que tem mais experiência é a Lorena, que já trabalhou com Tata Amaral, Suzana Amaral, Heitor Dhalia. É uma atriz experiente, que já fez muito teatro”, explica Jorane.

E completa: "A Keila tem experiência cênica, porque é cantora do grupo Gangue do Eletro. É uma mulher e uma artista maravilhosas, então ela trouxe toda a experiência dela de palco. A Ane nunca tinha trabalhado como atriz, mas a gente fez um teste com ela e deu super certo. Ela tinha essa beleza e esse naturalismo. Eu queria isso, essa informalidade da interpretação, que fosse mais roubada dos momentos cotidianos, como se estivéssemos lá juntos com elas.”

Amazônia, uma infinidade de histórias

A cineasta, que ficou conhecida com seu curta-metragem “Mulheres Choradeiras”, de 2001, que foi premiado no Brasil e no exterior, tem prazer em filmar na Amazônia.

“Acho que a gente tem muita coisa para mostrar, muitas histórias que ainda precisam ser contadas. A gente mora lá, produz lá, pensa o cinema na Amazônia. Isso é muito importante”, explica. “Ainda não filmei na ilha do Marajó, em Alter do Chão. Precisaria ser cineasta por três séculos para contar todas as histórias da região.”

Lorena Lobato em cena de "Para Ter Onde Ir"
Lorena Lobato em cena de "Para Ter Onde Ir" Divulgação

Sobre a produção cinematográfica do Pará, ela afirma que “ela está se estabelecendo”. “Existem novas políticas públicas federais, que estão favorecendo as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul. Então estamos começando a ter regularidade para filmar, ou seja, a gente começa a ter equipes e profissionais competentes e pessoas que só trabalham com cinema. Isso graças a editais de séries de TV, de documentários, da TV Cultura do Pará. Acho que são os primeiros passos para dar uma guinada para o alto, para ser cada dia melhores.”

“Para Ter Onde Ir” participou recentemente do Festival Guarnicê, em São Luís (MA), onde recebeu quatro prêmios: direção, atriz coadjuvante (Keila Gentil), trilha sonora (Gangue do Eletro) e desenho de som. Depois de Paris, o filme segue para os Festival de Durban, em julho na África do Sul, e para o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, entre 26 de julho e 2 de agosto na capital paulista e em Campinas.

Atualmente Jorane está filmando um documentário sobre o Mestre Cupijó, seu tio, um dos ícones da música tradicional paraense, que morreu em 2012. O projeto tem recursos do programa Petrobras Cultural.

A cineasta é formada em cinema pela Universidade Paris 8 e fez mestrado na Universidade Paris 7, com ênfase na sociologia aplicada ao cinema. Ela desenvolve pesquisas na área da linguagem audiovisual, privilegiando a região amazônica.

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