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“Estamos vivendo uma onda mundial de um novo feminismo”, diz atriz Maria Ribeiro

Áudio 10:15
Maria Ribeiro, atriz e escritora
Maria Ribeiro, atriz e escritora RFI

De passagem pela França, onde veio apresentar e divulgar o filme "Como nossos pais" - dirigido pela Laís Bodansky e na programação do Festival de Cinema Brasileiro de Paris -, a atriz e escritora Maria Ribeiro se mostra muito satisfeita com a repercussão da história que protagoniza na tela.

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No papel de Rosa, mãe de duas filhas que se aproxima dos 40 anos de idade e do “segundo tempo” da vida, Maria Ribeiro encarna a personagem central de uma obra que propõe uma reflexão sobre os papéis e os conflitos de muitas mulheres na sociedade contemporânea, a partir do universo familiar.

Lançado na Mostra Panorama na Berlinale, Festival de Cinema de Berlim, o longa de Bodanzky segue carreira internacional com exibições na França, onde já tem distribuição garantida, na Bélgica, além badalados festivais de cinema.  “É um cinema brasileiro pouco conhecido, que aparece agora”, diz sobre a temática abordada em "Como nossos pais".

“É um filme francês, um filme argentino, no sentido de que não tem um selo de brasilidade óbvia, de violência, de pobreza ou de favela. Ele é um filme importante porque trata de nossos pequenos dramas, que não são uma tragédia, mas seguem sendo dramas existenciais”, comenta a atriz.

“É importante que o mundo veja que a gente não é Amazônia. O Rio de Janeiro não é tão diferente assim de Paris. São Paulo não é tão diferente assim de Nova York. Existe um cinema que fala sobre a classe média. Muitas vezes são diretores de cinema e eles olharem para si, às vezes, é melhor do que olhares para temas que eles não têm tanta propriedade”, disse na entrevista à RFI Brasil.

Preconceito

Para a atriz, o filme traz uma abertura para reavaliar os códigos de uma sociedade com uma estrutura familiar tradicionalmente machista.

“A gente ainda vive em uma sociedade patriarcal. Os países colonizados vivem isso de uma forma ainda mais brutal. Eu consigo dividir com meu marido as crianças. Mas ainda é desigual. Eu brinco: grupo de whatsapp, só tem mães. É inacreditável. A mulher ainda sofre muito preconceito. A gente ainda ganha menos, é mais assediada, sofre machismo inclusive de mulheres. Eu brinco que eu sou machista. Eu prefiro dizer que eu sou machista e estou tentando deixar de ser do que fingir que isso não existe”, observa.   

 “Quando as crianças eram pequenas, eu negligenciei…. Eu falava assim: deixe que eu faço, você não vai saber fazer, deixe que eu troco a fralda, levo ao médico. Você reproduz sem se dar conta”, diz, ao questionar suas próprias ações.

Maria Ribeiro também não esconde sua expectativa de ver a estreia de "Como nossos pais" no Brasil, onde deverá chegar as telas dos cinemas a partir do dia 31 de agosto.     

“Todo muito está ansioso. Um filme que vai para Berlim, para Cannes, para Sundance, ele ganha um selo de qualidade. Eu estou muito ansiosa porque acho especialmente este ano no Brasil estamos vivendo um momento feminista, falando de assédio. Há uns três anos estamos falando isso. Esse filme vai de encontro a este momento. E o interessante é que não foi feito para. Foi feito de um desejo profundo e interno da diretora. É um filme fundamental, vai ter bastante público e gerar muita discussão”, aposta.  

“Estamos vivendo um momento bastante especial, um novo feminismo de alguma forma, uma onda mundial”, afirma, citando como exemplo a conquista do prêmio de melhor direção do último Festival de Cannes pela americana Sofia Coppola, o segundo da história do festival atribuído a uma mulher.

“Escrever cartas é parecido com psicanálise”

Ao mesmo tempo em que se prepara para acompanhar o lançamento de Como nossos pais no Brasil, Maria Ribeiro vive a expectativa do lançamento de seu segundo livro. Dois anos depois de Trinta e Oito e Meio (Ed. Língua Geral) , Maria Ribeiro coloca no mercado  40 cartas e um email que nunca mandei (Ed. Planeta), um livro reunindo suas correspondências escritas para personalidades que fazem parte de sua vida, como Leila Diniz e Sigmund Freud, mas que nunca vão lê-las. Ela pretende dividir com seus leitores suas reflexões e a relação que manteve com pessoas conhecidas ou não de seus fãs.  

“Minha literatura é muito ‘egotrip’ mas eu também olho muito para o outro. Eu gosto muito de escrever cartas. Cartas entre aspas porque a gente gosta muito de escrever email. Inclusive coloquei no livro troca de mensagens, whastapp”, explica.

“Muitas vezes quando você escreve, você nunca teria coragem de dizer falando, você fica mais corajoso escrevendo. Escrevo cartas porque Freud me acompanhou a vida inteira. O Woody Allen me acompanhou a vida inteira, é meu amigo. Meu pai, que já morreu, estou o tempo inteiro me comunicando com ele. Na verdade, estimulo todo mundo a escrever para os outros (assim) você está escrevendo para si. É muito parecido com o trabalho que você faz na psicanálise”, garante.  

 

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