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Arte

Por R$ 1,5 bi, quadro de Da Vinci desponta como o mais caro do mundo

Funcionária da casa de leilões Christie's exibe "Salvator Mundi" em Londres, em 24 de outubro de 2017.
Funcionária da casa de leilões Christie's exibe "Salvator Mundi" em Londres, em 24 de outubro de 2017. Fuente : REUTERS

O quadro "Salvator Mundi", do renascentista Leonardo da Vinci, foi arrematado nesta quarta-feira (15) por 450,3 milhões de dólares, o equivalente a R$ 1,491 bilhão, estabelecendo um novo recorde em leilões de arte. A tela, pintada há cerca de 500 anos, representa o Cristo, "salvador do mundo", e foi adquirida apenas 19 minutos depois de iniciados os lances.

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Em princípio, a casa de leilões Christie's estimou a obra em US$ 100 milhões. A peça foi reconhecida como um autêntico Da Vinci apenas em 2005. Até esta quarta-feira, o quadro pertencia ao bilionário russo Dimitri Rybolovlev, um oligarca exilado na Europa e proprietário do Mônaco, o clube de futebol da liga francesa. Rybolovlev havia comprado a tela por US$ 127 milhões.

"Salvator Mundi" tem 65 cm por 45 cm e foi negociado por somente 45 libras esterlinas em 1958, a obra era atribuída a Giovanni Boltraffio. Dimitri Rybolovlev comprou a tela 2013 do marchand suíço Yves Bouvier, que por sua vez a tinha adquirido por US$ 80 milhões. Mas, desde a transação, ambos estão envolvidos em uma batalha judicial: o empresário russo acusa o marchand de ficar com percentuais exorbitantes sobre as obras que vendia.

Recorde absoluto

O novo recorde supera com folga o anterior em leilões, de US$ 179,4 milhões pagos por "Les femmes d'Alger (Versión O)", de Pablo Picasso, em uma venda realizada em 2015. O valor também superou todas as expectativas no mercado de arte. Duas pinturas - um De Kooning e um Gauguin - que haviam sido negociadas de forma privada por quase US$ 300 milhões, em 2015, eram consideradas as obras mais caras até agora.

Os lances por "Salvator Mundi" começaram em US$ 70 milhões até chegarem, paulatinamente, após 53 ofertas, aos impressionantes US$ 450,3 milhões, valor que inclui comissões, impostos e outras despesas. No meio do leilão, a questão virou um duelo entre dois compradores anônimos, que faziam ofertas por telefone.

Quando as ofertas superaram os US$ 200 milhões, o público - que excepcionalmente incluía pessoas pouco acostumadas à atmosfera dos leilões - passou a acompanhar a disputa em um clima de grande suspense. O público rompeu a tensão com um forte aplauso quando se ouviu o golpe do martelo que anunciou o final do leilão.

Histórico de contestações

O preço alcançado por "Salvator Mundi" é tão excepcional como a própria história da obra. O quadro pertenceu à família do rei Charles I de Inglaterra e posteriormente foi considerado perdido durante quase um século. Foi encontrado no fim do século XIX.

A interminável polêmica sobre a autoria do quadro durou todo o século XX, até que a atribuição a Da Vinci se tornou pública em 2005, após várias análises. Mesmo depois disso, vários especialistas mantêm suas reservas sobre a autoria ou, pelo menos, sobre a intervenção real de Leonardo da Vinci no quadro, que passou por uma profunda restauração.

Aquecimento no mercado de arte

O preço espetacular registrado no leilão de quarta-feira parece, no entanto, capaz de passar por cima de qualquer reserva. Ao mesmo tempo, o valor volta a colocar sobre a mesa a possibilidade de um aquecimento do mercado de arte. A dinâmica ganhou força depois da venda de um Basquiat em 2016 por US$ 110,5 milhões.

Desde o início dos leilões de outono (hemisfério norte), na segunda-feira, foram registrados preços elevados. Um Fernand Léger alcançou US$ 70 milhões, um Marc Chagall, US$ 28,5 milhões, e um René Magritte, US$ 20,5 milhões.

O quadro "Laboureur dans un champ", de Vincent Van Gogh, foi negociado na segunda-feira por US$ 81,3 milhões e ficou próximo dos 82,5 milhões registrados em 1990, por "Portrait du Dr. Gachet".

Com informações da AFP

 

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