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Marcela Levi e Lucía Russo: Crise no Brasil está esgotando a criação na dança

Áudio 11:14
As coreógrafas Marcela Levi e Lucía Russo de passagem pelos estúdios da RFI em Paris
As coreógrafas Marcela Levi e Lucía Russo de passagem pelos estúdios da RFI em Paris RFI

As coreógrafas Marcela Levi e Lucía Russo participaram do Encontro coreográfico internacional de Seine-Saint-Denis, evento nos arredores de Paris que terminou neste sábado (16). Com a performance “Deixe Arder”, elas misturam referências que vão de Macunaíma a Michael Jackson para abordar conceitos como a invasão e a resistência.

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“Deixe Arder” é um solo interpretado por Tamires Costa, artista de 21 anos que hipnotiza o público antes mesmo da performance começar. “As pessoas em Paris ficaram bastante desconcertadas, com um fascínio e uma surpresa” diante do transe apresentado no palco, conta Lucía Russo, argentina radicada no Rio de Janeiro.

Parte desse fascínio vem também da proximidade da performer com a plateia, em uma confrontação direta. “Trabalhamos tentando criar uma certa intimidade com o público”, explica a coreógrafa, lembrando que, no Brasil, “Deixe Arder” era produzida diante de 25 pessoas, enquanto que na França a sala tinha 300 espectadores.

Para as coreógrafas, a ideia principal é mostrar a “potência de invasão do espaço do outro”. “Nos trabalhos da Improvável Produções, pensamos a performatividade como um ato de invasão”, comenta a carioca Marcela Levi. “Não tem um performer afirmando a sua identidade, e sim sendo invadido por outras existências”, explica, em alusão a personagens como Nina Simone, Josephine Baker, Macunaíma ou Michael Jackson, que “atravessam” o corpo da performer.

Dança contemporânea relegada no Brasil

Para Marcela, a performance também se inscreve em um contexto histórico brasileiro particular, com diminuição dos apoios públicos para as artes. “Não temos nenhuma condição de trabalho, não há subvenções, apoio em termos de espaço para ensaios ou teatros para apresentações”, desabafa. “Então ‘Deixa Arder’ surge de um momento de resistência”, diz.

“A dança já é bastante relegada nas artes, com um histórico de pouca verba. Mas agora, no Rio de Janeiro, os coreógrafos estão indo dar aulas em universidades, trabalhar na televisão... Mas o campo de pesquisa e de criação está ficando completamente esgotado”, finaliza Marcela.

Ouça a entrevista completa clicando na foto acima. 

 

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