Acessar o conteúdo principal
RFI Convida

Calixto Neto dança a “ira” para reinventar “corpos minoritários” no Festival Camping, em Paris

Áudio 06:42
O performer, bailarino e coreógrafo Calixto Neto.
O performer, bailarino e coreógrafo Calixto Neto. RFI/Márcia Bechara

Ele participou do Festival Camping, do Centro Nacional de Dança da França com o espetáculo “oh! rage” (“oh! ira”, em português) . Performer, bailarino, coreógrafo, criador, Calixto neto vem de uma formação de teatro em Recife, com passagens pela dança contemporânea, com a Cia Lia Rodrigues e a Escola Livre de Dança da Maré, no Rio de Janeiro e um mestrado Exerce, em Montpellier, no sul da França. O RFI Convida conversou com o bailarino sobre desconstrução de clichês, minorias, lideranças e reinvenção do corpo através da dança.

Publicidade

*Para ouvir a entrevista na íntegra, clique na image acima

“O corpo negro vem cheio de clichês, mas meu trabalho é justamente nesse lugar da desconstrução desses clichês. Como se eu passasse um marca-texto embaixo dos clichês para dizer ‘olha, esses clichês existem, e eles precisam ser desfeitos’ “, diz Calixto Neto. Sobre a emergência do feminismo negro no Brasil, com lideranças como Djamila Ribeiro e Marielle Franco, o bailarino afirma que “elas são fontes para mim, sigo estas pessoas, estou sempre lendo o que estão produzindo”.

 Além do aparato teórico que alimenta seu trabalho, Calixto diz que existe “o aparato do mundo virtual e da vida real”: “existe essa dimensão biográfica, que eu acho que toca no corpo masculino, mas também na desconstrução dessa masculinidade, do que pode ser essa fragilidade masculina, negra, porque [esta masculinidade negra] é um lugar de muita projeção, de ideias pré-concebidas que são reafirmadas nas coisas mais sutis do meu dia-a-dia”.

Sobre a inferioridade numérica de lideranças masculinas negras no Brasil, em comparação com a emergência de uma geração de lideranças femininas negras, o performer disse que “Não sinto falta. Está mais do que na hora de termos lideranças femininas, negras, trans, homossexuais, minoritárias”. “Obviamente que ter lideranças masculinas é interessante, elas existem, mas acho que precisamos bater palmas e passar o bastão dessa vez para as mulheres”, completa.

“oh! rage”, o espetáculo de Calixto Neto, faz uma brincadeira em francês com a palavra “orage”, “tempestade” e se inspira livremente no livro da indiana Gayatri Spivak, “Os subalternos podem enfim falar?”. “É um texto fundamental para os estudos pós-coloniais e a resposta, no final, é que os subalternos não podem enfim falar. Não por uma questão física, eles possuem o aparato físico para isso. Mas eles podem politicamente se posicionar em algum lugar e ter as suas vozes ouvidas”, diz o performer.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.