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Locarno vê realidade brasileira no filme “Temporada”

Áudio 08:20
André Novais Oliveira, diretor do filme Temporada, exibido no Festival de Locarno.
André Novais Oliveira, diretor do filme Temporada, exibido no Festival de Locarno. Foto: Arquivo Pessoal

O filme brasileiro “Temporada”, do mineiro André Novais Oliveira, foi muito bem recebido pela crítica por sua autenticidade no Festival do Locarno, na Suíça. A produção, que expõe a realidade brasileira na mostra paralela Cineastas de Hoje, concorre com outros diretores de primeiros filmes.

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Rui Martins, correspondente da RFI na Locarno

Inspirado na ação dos agentes sanitários contra o aedes-aegypti, o diretor brasileiro André Novais Teixeira criou a agente Juliana, encarregada de visitas de porta-a-porta para evitar a proliferação das larvas do mosquito vetor da dengue e zika em água empoçada em potes de plantas, pneus velhos ou poças de água parada nos jardins. Juliana é interpretada pela atriz profissional Grace Passô, que atua ao lado de alguns atores de teatro. Mas a maioria dos participantes são amadores e mesmo familiares do diretor do filme.
É o caso do seu irmão, na cena de amor mais sexy desta edição do Festival de Locarno, com Juliana, que foge aos padrões cinematográficos por serem ambos gordinhos. Além de transpor para a tela a realidade popular das periferias das cidades brasileira, no caso Contagem, perto de Belo Horizonte, num retrato fiel da população negra vivendo mal em cortiços, alimentando-se mal e ganhando salários mínimos miseráveis, o filme mostra sem preconceitos como a aparência física dos brasileiros, denunciada já pela OMS, vai sendo a da obesidade, consequente da má alimentação.
André não conta e talvez nem tenha percebido, mas o filme mostra a precariedade do combate aos mosquitos, cuja eficácia deve ser bastante duvidosa.
"O filme vem da minha observação do pessoal que trabalha nas periferias no combate às endemias. Juliana vem do interior de Minas para trabalhar em Contagem na região metropolitana", conta André. E essa mudança geográfica da personagem implica também numa mudança de vida e numa abertura, já que passa a conhecer os moradores com suas visitas para alertar contra a proliferação dos mosquitos.
Trata-se de um filme de pequeno orçamento, retrato fiel da realidade brasileira, na qual se misturam a pobreza e aceitação passiva dos pobres trabalhadores nas suas atividades precárias. Mesmo quando se trata do combate das doenças, num país onde também não se construiu nenhuma infraestrutura social e sanitária nesta última década.

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